Segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 19 de janeiro de 2026
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira (19), que vai bater o martelo sobre o seu papel nas eleições de 2026 em diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um processo que descreveu como uma “conversa de dois amigos.” Ele vem resistindo a se candidatar, mas há pressão para que dispute o Senado ou o governo de São Paulo.
Durante entrevista ao Uol, Haddad destacou que já negou pedidos do presidente antes. “O Lula fez tudo que foi possível para eu sair candidato a prefeito em 2020, e eu não saí”, disse. “Quando ele ganhou o título de cidadão parisiense, ele me convidou para acompanhá-lo, e ele a viagem toda ficou pedindo para eu ser candidato, e eu não fui.”
O ministro quer deixar o cargo no começo deste ano, antes do prazo de desincompatibilização para candidatos, em abril, mas não cravou uma data. Ele disse considerar importante que seu sucessor assuma a função na largada do ano, para assumir o comando de funções como execução orçamentária e financeira. O secretário-executivo de Haddad, Dario Durigan, é visto como favorito.
Ele reiterou que já afirmou, em todas as ocasiões, que não pretende se candidatar, mas que chegará a um consenso sobre o tema com Lula. Haddad disse que levou suas colocações, ouviu as do presidente, mas que não está pensando em cargos atualmente, e sim querendo um tempo para discutir o projeto de País.
“Tenho ouvido o presidente Lula e, obviamente, começamos a semana passada a conversar sobre isso. Nós não concluímos nada nessa primeira conversa, ele está colocando os pontos dele, eu estou colocando os meus, muito respeitosamente, de parte a parte. E nós vamos chegar a algum consenso logo mais”, afirmou.
“Estou querendo um tempo para discutir um pouco o País, o projeto de País, o que vai ser do Brasil nesse contexto internacional, quais são as formas de nos inserir nesse quadro tão dramático que nós estamos vivendo, tão desafiador, tanto interna quanto externamente. Eu estava querendo esse tempo para mergulhar um pouco nessas temáticas”, completou.
O ministro analisou que a economia perdeu espaço entre as preocupações do brasileiro e que ela não vai derrotar nem eleger o governo nas eleições. Pesquisa Genial/Quaest, divulgada na semana passada, mostra que violência é a principal preocupação do brasileiro (31%), seguida de problemas sociais (18%), corrupção (17%) e economia (12%).
Para ele, o mundo vive uma fase de extrema direita no mundo e que este cenário deixa pessoas mais suscetíveis a notícia do dia. Segundo Haddad, a economia é necessária, mas não será suficiente para ganhar eleições. Ele comparou ainda com o cenário de Joe Biden, nos Estados Unidos, que perdeu para o presidente Donald Trump com uma economia melhor que na época em que venceu.
“Eu não disse que a economia não é importante, eu disse que ela é uma condição necessária, mas eventualmente não suficiente para ganhar a eleição. O Biden perdeu a eleição com a economia melhor do que na época do Trump, do Trump 1”, afirmou.
Ele declarou que o Brasil recuperou o poder de compra do salário mínimo, analogamente ao que foi feito no segundo mandato de Lula e no primeiro mandato de Dilma Rousseff. Segundo ele, a reforma tributária vai baratear o preço dos alimentos. (Com informações de O Estado de S.Paulo)