Quinta-feira, 14 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de maio de 2026
O ministro da Saúde do Reino Unido, Wes Streeting, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (14), aprofundando a crise política que atinge o primeiro-ministro Keir Starmer e ampliando as especulações sobre a estabilidade de sua liderança no Partido Trabalhista.
Streeting, considerado uma das principais figuras da ala direita trabalhista e citado como possível rival de Starmer em uma disputa futura pela liderança, afirmou em carta publicada na rede social X que “perdeu a confiança” na condução do premiê. No texto, ele defende a necessidade de uma nova direção para o partido e afirma que há um “vácuo de liderança” no comando da legenda.
A renúncia ocorre em um momento de forte desgaste político do governo. Starmer enfrenta críticas internas após o desempenho fraco do Partido Trabalhista nas eleições locais e regionais realizadas em 7 de maio, quando a legenda perdeu quase 1,5 mil cadeiras de vereadores e viu o avanço do partido Reform UK, de perfil anti-imigração.
Desde a chegada ao poder, a gestão Starmer vem sendo pressionada por dificuldades econômicas, estagnação no crescimento e aumento do custo de vida, além de uma sequência de controvérsias políticas recentes.
Na última semana, o governo também enfrentou uma série de baixas no gabinete, com a saída de quatro secretários de Estado, além do aumento da pressão de parlamentares trabalhistas: 86 dos 403 deputados do partido na Câmara dos Comuns já pediram a renúncia do primeiro-ministro. Em contrapartida, mais de 100 parlamentares divulgaram carta em apoio à permanência de Starmer.
Em sua manifestação, Streeting não confirmou intenção imediata de disputar a liderança do partido, mas indicou a necessidade de um “amplo debate interno” e de abertura para diferentes candidaturas no futuro. Para lançar uma eventual campanha pela sucessão, ele precisaria do apoio formal de ao menos 81 deputados trabalhistas.
A crise interna ocorre enquanto Starmer insiste em permanecer no cargo e diz que pretende “continuar governando”, apesar do aumento das pressões dentro da própria legenda e das dúvidas sobre sua capacidade de conduzir o partido até as próximas eleições gerais, previstas para 2029.