Sábado, 17 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 17 de janeiro de 2026
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, afirmou que 47 militares venezuelanos foram mortos durante o ataque militar dos Estados Unidos a Caracas e a captura do presidente Nicolás Maduro no início do mês. Entre os mortos, nove eram mulheres, segundo o oficial. A divulgação dos números ocorre em meio a crescentes tensões diplomáticas e militares entre Caracas e Washington.
O ataque, que ocorreu em 3 de janeiro, começou com bombardeios a alvos militares e terminou com tropas especiais dos Estados Unidos desembarcando em helicópteros e capturando Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em sua residência na capital venezuelana. A ação levou à prisão do presidente venezuelano nos Estados Unidos, onde ele agora enfrenta acusações federais ligadas a narcotráfico e posse de armas, segundo autoridades americanas.
Padrino fez o anúncio durante uma cerimônia em homenagem às vítimas das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), realizadas em Caracas, e declarou que os militares “deram suas vidas em defesa da pátria”. A cerimônia foi transmitida pela emissora estatal Venezuelana de Televisión.
Além dos 47 venezuelanos, outras 32 pessoas – identificadas como soldados cubanos – morreram em combate na mesma operação, conforme informou Cuba ao receber os restos mortais na quinta-feira (15). Havana descreveu os militares como membros de suas forças armadas e inteligência que atuavam na segurança de Maduro antes da ofensiva.
As autoridades venezuelanas e cubanas ainda trabalham na identificação e repatriação dos corpos. Segundo relatos, as cerimônias em Cuba incluíram cortejos fúnebres e homenagens oficiais, com bandeiras nacionais cobrindo os caixões e participação de autoridades de alto escalão.
O número total de mortos no ataque, incluindo civis e militares, foi anteriormente estimado em cerca de 100, segundo o ministro do Interior da Venezuela, embora a divisão precisa entre combatentes e não combatentes ainda não tenha sido totalmente divulgada por autoridades venezuelanas.
O ataque também deixou dezenas de feridos. Autoridades venezuelanas relataram que mais de 112 pessoas ficaram feridas durante a operação, reforçando a gravidade do confronto.
Repercussão internacional
A operação dos Estados Unidos e a captura de Maduro provocaram reações internacionais e aplausos de aliados, ao mesmo tempo em que acirraram críticas de governos contrários à intervenção. A ação foi justificada por Washington como parte de esforços para combater o narcotráfico e grupos armados no país vizinho, embora detalhes completos da justificativa ainda estejam sendo debatidos.
Em Havana, manifestações de milhares de cubanos foram organizadas em frente à embaixada dos Estados Unidos, denunciando o ataque e exigindo respeito à soberania regional, conforme noticiado por agências internacionais. Líderes cubanos qualificaram a ação americana como “agressão” e reforçaram a disposição de dialogar, mas apenas em condições de “respeito mútuo”.
A crise também reacendeu debates sobre o papel dos Estados Unidos na política hemisférica e os limites da intervenção militar em nações soberanas, sobretudo em um contexto de instabilidade política contínua na Venezuela e relações tensas com países aliados como Cuba.