Domingo, 25 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 17 de outubro de 2023
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu nessa terça-feira (17) o gabinete de crise montado pelo Itamaraty para acompanhar a situação dos brasileiros na zona de conflito em Israel e nos territórios palestinos. O encontro ocorreu após as Forças Armadas israelenses bombardearem as cidades de Rafah e Khan Yunis, no sul de Gaza, onde estão 28 cidadãos brasileiros que aguardam repatriação. O ataque matou mais de 80 pessoas, segundo o Ministério do Interior da Faixa de Gaza.
Após a reunião, o chanceler se dirigiu ao Palácio da Alvorada, onde está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O governo já conseguiu retirar mais de 900 cidadãos brasileiros de Israel, dez dias após os ataques terroristas do Hamas que mataram mais de 1,4 mil pessoas no país. Entretanto, 28 brasileiros aguardam a abertura da fronteira com o Egito em Rafah para serem repatriados. Além deles, cidadãos de diversas nacionalidades esperam autorização para atravessar a fronteira nessas cidades.
Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) com capacidade para 40 pessoas aguarda em Roma para voar ao Egito assim que a fronteira for liberada.
Segundo fontes do governo, todos os esforços políticos e diplomáticos já foram feitos no sentido de permitir a saída dos brasileiros. A questão, agora, está mais relacionada à estratégia militar de Israel, que promove um cerco total a Gaza enquanto promete aniquilar o Hamas e liberar os mais de 200 reféns israelenses em poder do grupo dentro do enclave.
Ao todo, os bombardeios israelenses mataram mais de 2,8 mil palestinos. Os ataques aéreos em Rafah e Khan Yunis ocorrem dias depois de Israel alertar os moradores do norte do enclave a deixarem suas casas e rumarem ao sul, enquanto prepara uma incursão terrestre. O deslocamento forçado de 1,1 milhão de palestinos que vivem ao norte gerou críticas de entidades internacionais e agências humanitárias, inclusive das Nações Unidas.
O Conselho de Segurança da ONU, presidido neste mês pelo Brasil, faria nessa terça uma reunião para votar um projeto de resolução que pedirá um cessar-fogo e a abertura de um corredor humanitário para permitir a saída de civis estrangeiros de Gaza para o Egito e a entrada de alimentos e medicamentos para a população local. O texto foi elaborado pela diplomacia brasileira, após pedidos dos demais membros do colegiado que consideraram uma proposta apresentada pela Rússia excessivamente pró-Palestina. O encontro, no entanto, foi adiado.
O desafio do Brasil é, além de conseguir pelo menos 9 votos entre 15 integrantes do conselho, evitar que a Rússia exerça seu poder de veto sobre a resolução. Os russos têm essa prerrogativa por serem membros permanentes do conselho, assim como Estados Unidos, Reino Unido, França e China.