Sábado, 17 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de janeiro de 2026
A pressa é inimiga da perfeição. O ditado popular se encaixa nas decisões que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), está tomando à frente da relatoria do caso Master. Nessa sexta-feira (16), a novidade foi ele limitar o tempo que os investigadores terão para tomar todos os depoimentos. Apenas dois dias consecutivos.
Delegados e peritos estão desconfortáveis com a situação. Dizem que a medida pode prejudicar a lógica das oitivas e a técnica adotada. Afinal, é preciso analisar previamente o material apreendido e muitas vezes revisitar o conteúdo após um interrogatório, o que pode demandar mais tempo e remanejamentos.
Antes, a previsão era ouvir novamente o dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, além de outros investigados, num período de seis dias.
Em tom de desabafo, um dos delegados afirmou que nem sequer eles têm certeza se a equipe da Polícia Federal (PF) terá total autonomia para a elaboração das perguntas ou se o roteiro de indagações também será encaminhado por Toffoli.
Circula inclusive na cúpula da PF a reclamação de que o magistrado passou a agir como delegado de polícia. Toffoli avocou para si tanto poder que integrantes da Polícia Federal dizem nunca terem visto nem o ministro Alexandre de Moraes, em tantas atuações polêmicas, agir assim em relação aos procedimentos investigatórios.
O comum seria a Polícia solicitar autorização ao juiz para fazer as operações, adotar cautelares e quebrar sigilos, por exemplo, como previsto no artigo 102 da Constituição. Mas, a partir daí, a polícia é quem define a parte logística, datas e equipe.
Toffoli, entretanto, pouco tem se importado em seguir padrões. Talvez seja esse um dos motivos de tanta resistência no STF para criar um código de ética.
Ele determinou prazo de 24 horas para a PF fazer a segunda fase da Operação Compliance Zero. E chegou ao ponto de impedir a Polícia Federal de periciar o material apreendido. Depois, ao autorizar acesso ao conteúdo, foi ele quem determinou quais peritos poderiam fazer a perícia.
Com a atitude, Dias Toffoli expõe seus medos. Fica evidente que o ministro teme o vazamento de dados da megaoperação. O principal é a análise dos celulares e computadores apreendidos. Entre eles, aparelhos que pertencem ao pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro.
Como revelou o Estadão, Zettel é o dono dos fundos de investimento que compraram parte da participação dos irmãos do ministro Dias Toffoli no resort Tayayá, no interior do Paraná. (Análise por Roseann Kennedy/O Estado de S. Paulo)