Sábado, 07 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 6 de fevereiro de 2026
O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) foi internado em um hospital particular de Brasília após sentir “um forte mal-estar”, informaram os advogados do magistrado. Segundo o comunicado, o quadro de saúde de Buzzi “exige atenção médica redobrada, sobretudo em situações de forte tensão”.
Buzzi está sendo investigado por importunação sexual após ser acusado por uma jovem de 18 anos. A informação foi revelada na última quarta-feira (4) pela revista Veja e confirmada pela TV Globo. O ministro nega a acusação.
A jovem registrou ocorrência na Polícia Civil de São Paulo, que investiga o relato. O caso foi levado também ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), já que Buzzi tem direito ao foro privilegiado.
“Nos últimos cinco anos, o ministro teve instalados em seu coração cinco stents e um marca passo. (…) Por orientação técnica, o ministro terá licença médica de 10 dias, renováveis em caso de necessidade”, complementa o comunicado da defesa.
Em nota assinada pelo cardiologista assistente Fabricio Silva, o hospital DF Star informou que Marco Buzzi tem um “quadro de palpitações e precordialgia” – termo médico para dores no tórax.
“A equipe médica assistente optou pela internação para investigação e controle de sintomas”, diz o comunicado do hospital.
Na manhã de quinta-feira (5), o ministro Marco Buzzi apresentou um atesado médico ao STJ. O conteúdo do documento não foi detalhado.
Caso
As investigações sobre o relato de importunação sexual tramitam em sigilo.
O caso é investigado como importunação sexual. Se houver condenação, a pena definida no Código Penal varia de 1 a 5 anos de reclusão.
Em nota, o ministro Buzzi diz que “foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas” e repudia “toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”.
Já a defesa da mulher diz aguardar rigor nas apurações e o respectivo desfecho perante os órgãos competentes.
Apuração
Os ministros do STJ decidiram, por unanimidade, instaurar uma sindicância sobre a conduta do ministro. A comissão é formada por três ministros.
A autora da denúncia prestou depoimento na quinta à Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A mulher reafirmou o que havia relatado à Polícia Civil.
Segundo apurou a TV Globo, a mulher relata ter sido assediada no mar no dia 9 de janeiro. A família passava uns dias na casa de praia de Marco Buzzi em Balneário Camboriú (SC).
A jovem de 18 anos contou aos pais que estava no mar quando percebeu a aproximação do ministro. Segundo o relato, Marco Buzzi puxou o corpo dela para junto do seu – e a agarrou pela lombar.
A mulher diz que tentou escapar pelo menos duas vezes, mas o ministro insistiu em forçar o contato. Por fim, quando conseguiu se soltar, a jovem afirma que saiu da água e foi pedir ajuda aos pais.
A família da jovem confrontou a família de Marco Buzzi e deixou o local no mesmo dia.
Pouco tempo depois, em 14 de janeiro, a família foi à Polícia Civil de São Paulo, acompanhada de advogados, para registrar a ocorrência.
Ministro
Marco Aurélio Gastaldi Buzzi é ministro do STJ desde setembro de 2011. Ele foi nomeado para ocupar a vaga deixada pelo ex-ministro Paulo Medina, que teve sua aposentadoria compulsória decretada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Natural de Timbó, em Santa Catarina, Buzzi é mestre em Ciência Jurídica, com especialização em Gestão e Controle do Setor Público, Direito do Consumo e em Instituições Jurídico-Políticas.