Sábado, 16 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de maio de 2026
A Polícia Federal (PF) promoveu mudanças na coordenação da investigação do escândalo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que mira, inclusive, Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A troca motivou uma reunião do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça com a equipe da PF. O ministro pediu esclarecimentos sobre o assunto.
A PF, por sua vez, alega que as alterações foram “apenas burocráticas” e que não interferem no andamento das investigações. A corporação afirma que não houve troca de delegados e que todos os responsáveis pela investigação e os agentes que analisam o material permanecem os mesmos. Houve, segundo a instituição, apenas mudança de coordenação.
Antes, a investigação estava sob a Coordenação-Geral de Repressão a Crimes Fazendários e, agora, passou para a Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro (CGRC). Nessa nova coordenação, o caso está com a equipe da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq), responsável por inquéritos que tramitam no STF. O delegado-chefe da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários, que coordenava o inquérito na área fazendária, também migra para a atuação no caso no Cinq, segundo a PF.
Por meio de nota, a PF disse que “a transferência foi concebida para assegurar maior eficiência e continuidade às investigações, uma vez que a Cinq possui estrutura permanente voltada justamente à condução de operações sensíveis e complexas com tramitação perante o Supremo Tribunal Federal”.
Conforme o jornal O Globo mostrou, mais de três meses após a autorização do Supremo para a quebra de sigilo, a Polícia Federal ainda analisa as contas bancárias de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em busca de indícios de pagamentos mensais que teriam sido feitos pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
A perícia ocorre no âmbito da investigação sobre fraudes no INSS. A apuração busca confirmar o depoimento de uma testemunha que afirmou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS que o empresário teria realizado repasses mensais de cerca de R$ 300 mil a Lulinha. Segundo o relato, os pagamentos seriam recorrentes e fariam parte de uma relação mais ampla entre o lobista e o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Investigadores ouvidos no caso, no entanto, admitem limitações na análise. De acordo com pessoas ligadas à apuração, eventuais transferências feitas em dinheiro em espécie ou por meio de contas de terceiros podem não ser identificadas.
Em janeiro, o ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o escândalo do INSS, autorizou a quebra de sigilo de Fábio Luís após pedido da PF, apesar do parecer contrário da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Advogado de Fábio Luís, Guilherme Suguimori afirmou que acompanha o caso desde a apresentação do relatório da PF. Na época, a defesa pediu acesso aos autos, mas não houve apreciação por parte de Mendonça.
“Prestamos esclarecimentos por petição e aguardamos o desenvolvimento das investigações. Estamos aguardando com tranquilidade e calma”, disse.
Lulinha nega ter cometido qualquer crime ou envolvimento com as fraudes no INSS. (Com informações do jornal O Globo)