Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de janeiro de 2026
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou “falta de empenho” e reclamou de demora da Polícia Federal (PF) no cumprimento de medidas cautelares contra Daniel Vorcaro, parentes do banqueiro e pessoas ligadas ao Master.
A Polícia Federal, que informou ter respondido sobre a manifestação de Toffoli acerca dos prazos nos autos do processo.
Nessa quarta-feira (14), agentes da PF foram às ruas cumprir mandados de buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e parentes em São Paulo, incluindo o pai, a irmã e o cunhado dele.
O empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, também estão entre os alvos.
Dias Toffoli determinou que documentos, bens e materiais apreendidos na operação sejam lacrados e encaminhados ao STF.
Na decisão em que se queixa da atuação da Polícia Federal, Toffoli afirmou que as medidas cautelares foram solicitadas no dia 6 de janeiro. No dia 7, o ministro determinou que as medidas fossem cumpridas a partir do dia 12, no prazo de 24 horas, o que não ocorreu.
Ao reclamar da demora, Toffoli destacou que pessoas envolvidas em irregularidades podem “estar descaracterizando provas essenciais”, o que pode gerar prejuízo às investigações.
“Causa espécie a esse Relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa, como a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas”, diz trecho da decisão de Toffoli.
Na decisão sobre a operação dessa quarta, Toffoli afirmou que eventuais falhas no cumprimento de medidas determinadas por ele e possíveis prejuízos às investigações serão de “inteira responsabilidade” da PF.
“Eventual frustração do cumprimento das medidas requeridas decorre de inércia exclusiva da Polícia Federal”, escreveu o ministro do STF.
Operação
A operação dessa quarta foi autorizada diante da descoberta da prática de novos ilícitos pelo grupo investigado.
A investigação detectou que havia a captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e parentes. O celular do dono do Master foi apreendido.
A defesa Vorcaro reiterou que seu cliente tem colaborado com as autoridades, além de ter “interesse no esclarecimento completo dos fatos”.
Nessa etapa da operação Compliance Zero, havia 42 mandados de busca e apreensão, determinados por Toffoli, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. Foram apreendidos diversos carros e itens de luxo.
Os mandados tinham alvos em São Paulo, incluindo endereços na Avenida Faria Lima, um dos principais centros financeiros da capital paulista, e os estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, chegou ser detido na madrugada dessa quarta no aeroporto quando embarcaria para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, mas foi solto em seguida. A prisão foi apenas para a realização da operação dessa quarta.
Os policiais foram até a casa do empresário Tanure e não o encontraram no endereço. Ele foi localizado no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando embarcaria em um voo nacional. O celular dele foi apreendido.