Sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de setembro de 2026
Ministros próximos a Alexandre de Moraes insistem na tentativa de cancelar ou adiar a sessão agendada para terça-feira (15), para discutir se o colega será investigado por supostas ligações com Daniel Vorcaro. O principal argumento é o de que o pedido de Moraes para André Mendonça ser investigado deveria ser julgado na mesma sessão.
Integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) fizeram esse pedido a Edson Fachin nas reuniões individuais que o presidente teve com cada um deles na quinta-feira (10). Para esse grupo, Mendonça deveria ser investigado por irregularidade na condução do caso Banco Master e por ter direcionado as apurações com o intuito de chegar ao nome de Moraes.
Nesta sexta-feira (11), essa ala acrescentou outro argumento para defender essa posição. Fachin pediu para Mendonça derrubar o sigilo das investigações sobre o Banco Master. Segundo aliados de Moraes, o ministro fez isso de forma seletiva. Por outro lado, diante de todo o material disponibilizado, ministros alegam que não haveria tempo hábil para examinarem tudo até a próxima semana.
Um dos integrantes do Supremo também disse a Fachin que não seria prudente realizar esse debate público neste momento, às vésperas do processo eleitoral, para o caso não ser ainda mais usado politicamente pelas campanhas. Para esse ministro, no atual cenário, o ideal seria analisar a questão depois das eleições de outubro.
Fachin, no entanto, teria discordado do colega. Na avaliação do presidente do STF, o plenário deve analisar o pedido de apuração contra Moraes o quanto antes, e de forma pública, para dar satisfação à sociedade diante de indícios graves contra integrantes da Corte.
Nos bastidores, há expectativa de que um ministro pedirá para a sessão ser fechada ao público assim que ela começar. Caso a solicitação não seja atendida pela maioria do plenário, aumentaria a chance de haver pedido de vista, o que adiaria a discussão para um futuro incerto. Ainda assim, essa possibilidade não arrefeceria os ânimos, porque outros ministros poderiam antecipar seus votos mesmo após um pedido de vista.
Tanto aliados de Mendonça quando de Moraes concordam que a sessão da próxima semana não vai resolver a crise instalada no STF. Ao contrário. Ministros ouvidos em caráter reservado acreditam que haverá confusão, troca de acusações entre ministros e bate-boca – ingredientes para deixar a situação no tribunal ainda mais fora de controle.
Fachin deve anunciar em breve um rito para a sessão – que deve incluir a ordem da manifestação de cada um, inclusive Mendonça e Moraes. O mais provável é que o debate comece pela análise de questões preliminares, que podem ensejar o arquivamento do caso por motivos técnicos.
A principal questão a ser discutida deve ser a acusação de que Mendonça teria pedido uma apuração contra Moraes para a Polícia Federal sem ter submetido isso antes ao plenário.