Segunda-feira, 13 de abril de 2026

Morre, aos 91 anos, o artista colombiano Fernando Botero, conhecido como “pintor dos gordinhos”

O pintor, escultor e desenhista colombiano Fernando Botero morreu nessa sexta-feira (15), aos 91 anos, em sua casa no principado de Mônaco. Recentemente, o artista havia passado alguns dias hospitalizado por conta de uma pneumonia.

Botero ganhou fama e popularidade nas últimas décadas graças às pinturas e às enormes esculturas de bronze expostas pelo mundo, a partir dos anos 1990.

“Minha pintura é sobre temas afetivos, porque a pintura foi fundada sobre temas afetivos”, explicou. “Vê-se que os pintores trabalharam a exaltação da vida, em meio a grandes tragédias. Por exemplo, o impressionismo: quem já viu um quadro impressionista deprimente? E isso entre guerras e tragédias, mas a pintura mantinha uma atitude positiva perante a vida.”

O presidente colombiano Gustavo Petro fez uma homenagem ao artista nas redes sociais. “Morreu Fernando Botero, o pintor de nossas tradições e defeitos, o pintor de nossas virtudes. O pintor de nossa violência e da paz”, afirmou.

Autodidata

O artista plástico reconhecido internacionalmente, e que se dedicou por mais de 70 anos à arte, foi um autodidata em todo o sentido da palavra. “A história dele é a de uma pessoa que começou do nada e que mantinha como únicas clarezas sua vocação artística, sua capacidade de trabalho e sua paixão pelo o que estava fazendo. Tudo isso o permitiu ir adiante, nadando muitas vezes contra as correntes predominantes no mundo da arte”, definiu a filha Lina Botero, em 2019, à época do lançamento do documentário “Botero: una mirada íntima a la vida y obra del maestro” (ainda sem lançamento no Brasil).

Botero — que dá nome a um famoso museu em Bogotá, capital da Colômbia — iniciou a carreira como ilustrador do jornal “El Colombiano” no fim dos anos 1940. Por muito tempo foi reconhecido como um artista influenciado pelos traços do pintor italiano Piero della Francesca. A gênese de seu estilo inconfundível aconteceu, como o próprio reconhecia, depois que ele fez o esboço do desenho de um bandolim, insinuando o sentido de monumentalidade do instrumento.

Com exuberância, abundância e proporções “generosas”, Botero deu aos personagens e aos objetos uma nova sensualidade. “Não havia tradição na minha família. Não sei por que comecei a desenhar touros, paisagens, naturezas mortas, por que as pessoas vieram para os meus quadros… O fato é que aos 19 anos eu queria ser pintor. E minha mãe me deixou. Aos 19, já fiz a minha primeira exposição. A primeira coisa verdadeiramente boteriana que fiz foi um bandolim. Atraiu-me a amplitude e a generosidade do traço exterior de seu corpo e a pequenez do detalhe. Esse esboço foi meu ponto de partida”, afirmou ele, em entrevista ao ‘El País”, em 2019.

A fama e a popularidade que ele adquiriu com suas pinturas de cores luminosas se destacaram sobretudo na década de 1990, quando suas enormes esculturas de bronze começaram a ser exibidas nas principais cidades do mundo, incluindo uma passagem pelo Rio de Janeiro (em 1998).

Nos últimos anos, Botero dividia seu tempo entre a Itália e Mônaco, onde mantinha ateliês. Ele se classificava como o “pintor que mais expõe no mundo”, dada a sua popularidade em diferentes continentes. E não ligava para as eventuais críticas por vender tantas obras e ter se tornado supostamente um “artista comercial”. “As pessoas quando veem um Botero se lembram, fica gravado na sua mente. Está mal que o diga, mas sou o pintor vivo que mais expõe no mundo, inclusive na China. Lá dizem: ‘Até as crianças pequenas reconhecem um Botero!’”, celebrou.

Em entrevista recente ao “El País”, ele se debruçou sobre a própria trajetória e frisou que demorou a encontrar a singularidade de seu traço. “Levei 15 anos até fazer o que se chama um Botero do começo ao fim, mas fui insistindo na mesma ideia e no mesmo universo. A maturidade do estilo depende do trabalho, leva muito tempo. E aí vieram os personagens, os Boteros. Não tinha influências visíveis, havia coerência, resultado de uma obsessão que partiu do bandolim. Pintar é criar um estilo; se houver convicção o estilo nasce por si só”, definiu ele.

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