Terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Morre Valentino Garavani, ícone da alta costura italiana, aos 93 anos

A história de uma das casas mais reconhecidas da moda italiana se encerrou nessa segunda-feira (19). Morreu nessa segunda-feira (19), aos 93 anos, Valentino Garavani, um dos maiores nomes da alta costura italiana. A informação foi divulgada pela fundação que administrava com o empresário Giancarlo Giammetti, com quem criou a grife que leva seu nome.

“Valentino Garavani morreu hoje, com serenidade, em sua residência em Roma, cercado pelo afeto de seus entes queridos”, diz o comunicado enviado à imprensa. Detalhes sobre a causa da morte não foram informados.

O último dos grandes costureiros do século 20, foi um estilista que definiu a imagem da realeza em uma era republicana para todo tipo de princesas —coroadas, depostas, de Hollywood e da sociedade.

A maison Valentino foi fundada em 1962, já com Giancarlo Giammetti ao seu lado — parceiro de negócios e de vida, com quem construiu uma das histórias mais duradouras da moda internacional. O reconhecimento global veio poucos anos depois, quando Jacqueline Kennedy escolheu Valentino para desenhar o vestido de seu casamento com Aristóteles Onassis, em 1968.

Apelidado de “o último imperador” em um documentário de mesmo nome lançado em 2008 e “o Sheik do chique” por John Fairchild, ex-editor da Women’s Wear Daily, Garavani fundou sua empresa homônima em 1959. Durante o meio século seguinte, ele não apenas vestiu um mundo de nobres, mas tornou-se igual a eles, com seus próprios palácios, corte itinerante e tom característico de vermelho.

“Na Itália, existe o Papa — e existe Valentino”, disse Walter Veltroni, então prefeito de Roma, em um perfil do estilista publicado na The New Yorker em 2005.

Perpetuamente bronzeado em um tom profundo de mogno, com o cabelo secado a jato até a perfeição imóvel, quase sempre referido pelo primeiro nome (ou pelo título honorífico “Sr. Valentino”) e seguido por um séquito de pessoas e pugs, Garavani criou e vendeu uma imagem de alto glamour que ajudou a definir o estilo italiano por gerações.

Valentino passou a vestir algumas das mulheres mais influentes do século XX e XXI. Elizabeth Taylor, Sophia Loren, Jennifer Lopez, Anne Hathaway, Courteney Cox e a princesa Madeleine da Suécia estão entre os nomes que recorreram à sua assinatura, especialmente para vestidos de noiva e ocasiões históricas.

Sua ascensão coincidiu com o auge do cinema italiano, período em que se consolidou como sinônimo de glamour. “Amo as mulheres. Sempre tentei fazê-las parecer muito sensuais, muito glamourosas”, afirmou certa vez.

O vermelho, que se tornaria a marca registrada da grife, nasceu de uma memória juvenil. “Eu tinha 17 anos e estava em Paris quando fui a Barcelona para ajudar uma fornecedora. No primeiro dia, me levaram a uma noite de gala na Ópera de Barcelona, toda decorada em vermelho. Fiquei profundamente emocionado. Disse a mim mesmo que, se um dia tivesse uma grife, usaria o vermelho como sinal de boa sorte”, contou. Assim surgia o célebre Vermelho Valentino.

Após 45 anos à frente da maison que leva seu nome, Valentino anunciou sua aposentadoria em 2007, encerrando oficialmente sua atuação criativa em janeiro de 2008. À época, foi crítico ao rumo do setor. “Vou sentir muita falta de não desenhar mais, mas sobretudo deste mundo. A moda está estragada. Todo mundo faz as mesmas coisas. Faltam desafios, criatividade e alegria. Agora, só se trata de fazer negócio”, declarou. Desde então, passou a viver de forma mais reservada.

Nos últimos anos, Valentino mantinha uma rotina discreta, longe dos desfiles e compromissos públicos, enquanto via sua marca seguir sob novas direções criativas e se consolidar como um dos maiores símbolos do luxo italiano no mundo.

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