Sexta-feira, 02 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de janeiro de 2026
A morte de Brigitte Bardot provocou reações divergentes entre políticos de direita e de esquerda na França e abriu um debate público sobre a possibilidade de uma homenagem nacional à atriz, uma das figuras mais emblemáticas da cultura francesa no século 20.
Bardot morreu no último domingo (28), em 2025, aos 91 anos, em Saint-Tropez, no sul da França. A causa da morte não foi divulgada oficialmente, segundo a imprensa local. Ícone do cinema nas décadas de 1950 e 1960, ela se tornou símbolo de uma geração ao protagonizar filmes como E Deus Criou a Mulher, além de influenciar moda, comportamento e a imagem feminina no pós-guerra europeu. Nos anos 1970, Bardot abandonou definitivamente a carreira artística e passou a se dedicar à defesa dos direitos dos animais, causa que se tornou central em sua vida pública.
De acordo com o jornal Le Figaro, políticos ligados ao partido de direita Reunião Nacional defenderam a realização de uma homenagem nacional, destacando Bardot como um símbolo cultural da França reconhecido internacionalmente. Parlamentares da legenda ressaltaram que a atriz contribuiu para projetar a imagem do país no exterior e lembraram que ela manifestou apoio ao partido em diferentes momentos de sua trajetória.
O deputado Éric Ciotti, presidente da União das Direitas pela República (UDR) e aliado do Reunião Nacional, fez um apelo público ao presidente Emmanuel Macron para que o governo francês organize uma homenagem oficial. Em publicação nas redes sociais, Ciotti afirmou que Bardot “marcou profundamente a história cultural da França” e que seu legado artístico transcende divergências políticas.
Na esquerda, a avaliação foi mais cautelosa. Integrantes do Partido Socialista reconheceram a importância de Bardot para o cinema e para a cultura francesa, mas questionaram a pertinência de uma homenagem nacional. O primeiro-secretário da legenda, Olivier Faure, afirmou que esse tipo de cerimônia costuma ser reservado a personalidades que prestaram “serviços excepcionais à Nação”, ressaltando que o legado de uma figura pública deve ser analisado em sua totalidade.
Faure citou ainda as “controvérsias” associadas às posições assumidas por Bardot após o fim de sua carreira artística. As críticas se referem, sobretudo, a declarações políticas feitas ao longo das últimas décadas sobre imigração e islamismo, que resultaram em condenações judiciais por incitação ao ódio racial, segundo registros da Justiça francesa.
Apesar da discussão política, há incerteza sobre qualquer cerimônia oficial. Segundo a emissora TF1, uma jornalista próxima à atriz afirmou que Bardot não desejava homenagens solenes nem protocolos de Estado após sua morte, preferindo uma despedida discreta e íntima, em consonância com o estilo reservado que adotou nos últimos anos de vida.