Sábado, 20 de julho de 2024

Morte de liderança do Hamas no Líbano aumenta risco de escalada de conflitos no Oriente Médio

Líderes regionais e globais advertiram contra a escalada da violência após o assassinato de Saleh al-Arouri, uma das principais autoridades políticas do grupo terrorista Hamas, em Beirute, em meio a temores de que as tensões possam transbordar na fronteira entre Israel e Líbano e em toda a região.

Os países vizinhos a Israel e no Oriente Médio estão em alerta um dia depois da morte de Saleh al-Arouri em um ataque a drone no sul de Beirute. As forças israelenses aumentaram o nível de atenção para possíveis represálias do Hezbollah — grupo xiita libanês aliado do Hamas — pelo ataque contra a capital do Líbano.

Autoridades libanesas condenaram o ataque e tentaram controlar partidários mais extremistas. Mas o líder o do grupo fundamentalista Hezbollah, o xeque Hassan Nasrallah, vai fazer um raro pronunciamento na noite desta quarta-feira (03), o segundo em rede de TV desde o início da guerra de Israel contra o Hamas após os ataques terroristas do grupo em 7 de outubro.

Até aqui, o Hezbollah tem feito ameaças contra Israel, e trocado fogo com os israelenses diariamente na fronteira, mas sem ações mais radicais. Líbano e Israel estiveram em guerra pela última vez em 2006, quando integrantes do Hezbollah cruzaram a fronteira dos dois países e sequestraram militares israelenses. Após quase um mês de guerra, e cerca de 1,2 mil libaneses e 157 israelenses mortos, os países alcançaram um cessar-fogo.

O cenário interno para Israel também é cada vez mais tenso — com alerta dos EUA de que o ataque pode ter fechado a porta para uma negociação com o Hamas para libertação de reféns, bem como o acirramento do extremismo nos territórios palestinos, com convocatórias para que cidadãos de Gaza e Cisjordânia se juntem à “luta do Hamas”.

A expansão do conflito pela região é uma preocupação central para governos envolvidos direta ou indiretamente na crise do Oriente Médio. Embora a guerra já tenha consequências internacionais — como a criação de uma coalizão de defesa para responder a ataques de rebeldes Houthis, do Iêmen, contra embarcações comerciais no Mar Vermelho — a resposta de um Estado árabe contra Israel elevaria o conflito ao patamar de uma guerra entre países, não apenas uma ação militar contra um grupo terrorista.

O primeiro-ministro do Líbano, Najib Mikati, anunciou que apresentaria uma queixa “urgente” ao Conselho de Segurança da ONU sobre o ataque contra sua capital, que deixou outros sete mortos. Embora tenha qualificado a explosão que matou al-Aruri como um “novo crime” de Israel, a sinalização do chefe de governo de uma solução chancelada pela comunidade internacional soa como um sinal de moderação.

Nos bastidores, a atuação das autoridades libanesas também demonstram uma preocupação com uma escalada do conflito. O ministro dos Negócios Estrangeiros libanês, Abdallah Bou Habib, afirmou que está em diálogo com a milícia do Hezbollah para que não haja uma resposta ao ataque a Beirute, classificando as próximas 24 horas como fundamentais para entender se o grupo xiita aceitaria ou não a recomendação.

No Irã, que é um dos principais apoiadores do Hamas em Gaza e do Hezbollah no Líbano, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores disse que o ataque foi “mais uma faísca nas veias da resistência e da motivação para lutar contra” Israel.

Na França, o presidente Emmanuel Macron disse ao ministro israelense Benny Gantz que era “essencial evitar qualquer atitude de escalada, particularmente no Líbano”, de acordo com a leitura de uma ligação na terça-feira fornecida por autoridades francesas, informou a AFP. Macron também teria oferecido que a França desempenhasse um papel de intermediário para manter as linhas de comunicação abertas entre todas as partes.

Entrave nas negociações

A eliminação de um das principais lideranças do Hamas e a possível expansão do conflito fizeram surgir apelos de diversas frentes para que o trabalho de negociação entre Israel e Hamas fosse intensificado — algo que parece mais complexo diante da nova crise.

A Força Interina das Nações Unidas no Líbano expressou “profunda preocupação” com a escalada de tensões na região e clamou pela abertura de novos canais diplomáticos. De acordo com a porta-voz da iniciativa da ONU, qualquer potencial escalada poderia ter consequências “devastadoras” para as pessoas dos dois lados da Linha Azul — que divide os dois países. “Continuamos a implorar a todas as partes por um cessar-fogo e a todos os interlocutores com influência que exortem à contenção”, disse Kandice Ardiel, nesta quarta-feira.

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