Domingo, 22 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 22 de março de 2026
Mulheres que entram na menopausa antes de completar 40 anos têm um risco significativamente maior de ter infarto ao longo da vida, na comparação com aquelas que passam pela transição mais tarde, de acordo com uma nova pesquisa. O estudo descobriu que mulheres que passaram pela chamada menopausa precoce tiveram 40% mais infartos fatais e não fatais ao longo de suas vidas do que aquelas que entraram na menopausa após os 40 anos.
Mulheres negras, que já apresentam risco elevado de doenças cardiovasculares, tiveram três vezes mais chances de menopausa precoce do que mulheres brancas, segundo a pesquisa. Estudos realizados há décadas observaram que mulheres negras entram na menopausa em idade mais jovem do que mulheres brancas, com alguns artigos sugerindo que fatores ambientais e estresse psicossocial podem ser as causas.
O novo artigo, publicado na última quarta-feira (18) no Jama Cardiology, não é o primeiro a destacar os riscos aumentados de doença coronariana associados à menopausa precoce. A pesquisa ressalta a necessidade de incluir o histórico reprodutivo e a idade da menopausa em qualquer avaliação do risco cardiovascular de uma mulher, diz Priya Freaney, autora principal, que é cardiologista e diretora do Women’s Heart Care na Northwestern University.
“A gravidez é frequentemente comparada a um teste de esforço, e você pode pensar na menopausa de forma semelhante, como uma janela para o seu risco cardiovascular”, diz ela.
“A menopausa em qualquer idade revela perfis metabólicos adversos: os lipídios aumentam 20%, os perfis de pressão arterial sobem, os níveis de atividade diminuem, a distribuição de gordura corporal se desloca para a barriga, a massa muscular diminui e a massa gorda aumenta”, afirma Freaney, acrescentando que a atividade física pode diminuir devido a sintomas graves da menopausa. “Todas essas coisas estão agravando o risco cardiovascular nesse curto período de tempo.”
Um estudo muito maior, de 2019, com mulheres na Grã-Bretanha, encontrou aumentos significativos em uma ampla gama de doenças cardiovasculares —incluindo doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, AVC isquêmico, coágulos sanguíneos, fibrilação atrial e outras síndromes cardíacas— naquelas que haviam passado por menopausa precoce naturalmente. Em mulheres que entraram na menopausa precoce porque seus ovários foram removidos cirurgicamente, os riscos eram ainda maiores.
Essa pesquisa, porém, acompanhou as mulheres por apenas sete anos, em média, e incluiu poucas mulheres não brancas. O novo estudo, que excluiu mulheres que haviam passado por menopausa cirúrgica, foi menor, mas mais heterogêneo, incluindo 6.514 mulheres brancas e 3.522 mulheres negras.
Cerca de 15% das mulheres negras no estudo e pouco menos de 5% das mulheres brancas relataram que haviam passado por menopausa precoce. Para ambos os grupos, o risco de ter um infarto fatal ou não fatal ao longo da vida foi elevado, com um aumento de 41% para as mulheres negras e de 39% para as brancas.
A porcentagem de mulheres passando por menopausa precoce foi significativamente maior do que o 1% tipicamente esperado para experimentar uma menopausa tão antecipada, descobriu o estudo. Os pesquisadores disseram que se basearam em autorrelatos, o que pode ter causado alguma confusão e inflado os números. A idade média da menopausa, que é o fim da menstruação e é definida como 12 meses sem período menstrual, é de 51 e 52 anos.
O estudo não foi projetado para identificar por que mulheres negras experimentaram menopausa precoce em taxas mais altas. No geral, a pressão arterial e o índice de massa corporal eram mais altos entre as mulheres negras do que entre as mulheres brancas no estudo. Mulheres brancas com menopausa precoce tinham taxas mais altas de tabagismo, enquanto mulheres negras com menopausa precoce tinham taxas mais altas de diabetes, mostrou a pesquisa.
Embora o aumento relativo no risco fosse semelhante para todas as mulheres, Rachel Bond, cardiologista do Dignity Health Medical Group no Arizona, diz que as mulheres negras já começam com um risco basal mais alto. “Então, quando você adiciona a menopausa precoce a isso, o impacto geral é maior.”
Ela diz que mulheres negras costumam ter mais chance de ter pressão alta e de tê-la mais cedo na vida, na compração com mulheres brancas. O estresse crônico e a exposição à discriminação podem impulsionar outros fatores de risco, como distúrbios metabólicos, acrescenta. (Com informações do jornal The New York Times)