Segunda-feira, 09 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de março de 2026
Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que as mulheres são maioria nas inscrições e participações nos principais exames educacionais do país.
O cenário indica a busca crescente do público feminino por formação e qualificação profissional, refletindo o investimento contínuo das mulheres na educação como caminho para ampliar oportunidades e fortalecer a inserção no mercado de trabalho.
No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025, as mulheres somaram 2.889.851 inscrições, o que corresponde a 60% do total de 4.811.338 participantes.
A experiência da estudante de psicologia Letícia Jácome Rodrigues ilustra o impacto do exame na trajetória acadêmica de milhares de jovens. Ela realizou a prova em 2022 e, com a nota obtida, conseguiu ingressar em uma instituição de ensino superior.
A estudante também destaca o protagonismo feminino na busca por formação. “Vejo a minha geração de mulheres como uma geração que quer saber mais. Ter um número tão alto de inscritas revela o quanto estamos dispostas a aprender, evoluir e buscar sempre fazer o melhor que podemos”, afirma.
A predominância feminina não aparece apenas no Enem. Em outras avaliações, o cenário se repete. Na Prova Nacional Docente (PND) 2025, voltada à seleção e ao ingresso de profissionais na carreira docente nas redes públicas de ensino, o público feminino registrou 823.026 inscrições (75,7%) do total de 1.086.914.
Na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que avalia a qualidade da formação de estudantes de medicina e subsidia políticas públicas voltadas ao aprimoramento dos cursos da área, as mulheres também foram maioria. Elas representaram 58.963 participantes (61%) do total de 96.635 inscritos, enquanto os homens somaram 37.672 (39%).
De acordo com o Censo Escolar 2025, a educação básica brasileira conta com 1.896.389 docentes mulheres, o equivalente a 78,8% do total de 2.407.049 professores. O número reforça a presença feminina predominante nas salas de aula em todo o país e evidencia o papel das mulheres na formação das novas gerações.
A trajetória da professora Natália Guimarães reflete essa realidade. Pedagoga formada pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), ela leciona há 23 anos no Ensino Fundamental I.
“Minha mãe teve escola e eu sempre gostei de crianças. Na época do vestibular, optei por prestar enfermagem e pedagogia. Fui aprovada em pedagogia e comecei a dar aulas ainda na faculdade”, relembra.
Para a professora, a educação básica tem papel essencial no desenvolvimento social das crianças. “Quando chegam à escola, começam a ampliar o olhar para o outro e a compreender que fazem parte de um coletivo. Isso amplia as possibilidades para a vida”, afirma.
No ensino superior, as mulheres também seguem como maioria entre os concluintes. Ao todo, 793.062 formandas representam 59,5% do total de 1.333.828 concluintes, segundo o Censo da Educação Superior.
Entre os cursos mais procurados estão pedagogia, direito e administração, áreas que concentram grande parte das formandas e evidenciam a presença feminina em diferentes campos do conhecimento.