Terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de fevereiro de 2026
Menos de uma semana após receber do governo federal quase 28 mil doses da vacina contra dengue produzida pelo Instituto Butantan-SP, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) deve iniciar nesta terça-feira (24) a entrega do lote aos 497 municípios gaúchos. O imunizante será retirado pelas prefeituras em Porto Alegre, conforme detalhamento pelas autoridades gaúchas nas próximas horas.
O público-alvo inicial em solo gaúcho são mais de 60 mil profissionais que atuam em serviços de atenção primária no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Aprovado em dezembro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o fármaco é totalmente produzido no Brasil e o primeiro, no mundo, com esquema vacinal de apenas uma aplicação.
Estudos comprovaram a segurança e efetividade do produto. A eficácia geral é 74,7%, índice que sobe para 91,6% na proteção contra manifestações graves da dengue.
No próximo semestre, a campanha deve contemplar a faixa etária de 15 a 59 anos, priorizando-se as mais velhas. À medida que o Butantan amplie sua capacidade de atender à demanda (por meio de parceria com empresa farmacêutica da China), a vacinação avançará para os mais jovens.
Avanço
A estratégia nacional de vacinação contra a dengue foi lançada em maio de 2024. Desde então, o Rio Grande do Sul recebeu aproximadamente 262 mil doses do imunizante Qdenga, produzido pelo laboratório japonês Takeda Pharma e com esquema de duas aplicações, mediante intervalo de três meses entre cada etapa.
Além de o público-alvo estar então resumido à faixa de 10 a 14 anos, em um primeiro momento a campanha foi direcionada apenas a Porto Alegre e outros cinco municípios da Região Metropolitana, selecionados com base no número de casos ao longo dos últimos dez anos. Com o aumento da oferta de vacinas no País, o número de municípios foi ampliado gradualmente até chegar a todo o Estado no início deste mês, contemplando cerca de 630 mil crianças e adolescentes.
Estatística
Em 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou o pior cenário da doença causada pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti: 209 mil casos confirmados e 281 mortes. Já no ano passado os registros caíram para 44.029 casos e 52 mortes.
As mortes de gaúchos pela dengue em 2025 tiveram como principais vítimas os idosos (60 anos ou mais), no entanto ainda não há vacina disponível para esse grupo etário. Enquanto o fármaco não chega ao mercado, a eliminação de criadouros do inseto transmissor continua sendo a principal forma de combate à dengue, bem como à febre chikungunya e ao zika vírus, também associados ao mosquito.
(Marcello Campos)