Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de fevereiro de 2026
Horas antes da saída do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli da relatoria do inquérito sobre o Banco Master na Corte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou como insustentável a permanência do magistrado à frente do caso. A auxiliares, Lula disse que a insistência de Toffoli em se manter na condução do processo “contaminava” o governo.
Irritado, o presidente já havia afirmado que o magistrado não tinha escolha: ou renunciava à investigação ou deveria sair do STF. A contrariedade de Lula com Toffoli atingiu o auge na quarta-feira (11), quando a Polícia Federal indicou ao presidente do STF, Edson Fachin, a suspeição do ministro após encontrar menções a ele no celular de Daniel Vorcaro, dono do Master.
Em dezembro, durante um almoço com Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na Granja do Torto, Toffoli disse que não abriria mão de conduzir a ação do Master. Na conversa com Lula, no fim do ano, Toffoli afirmou que havia autoridades e políticos de vários partidos, e não apenas do Centrão, envolvidos nas irregularidades do Master. Chegou a dizer ainda que, se o processo fosse para a primeira instância da Justiça, como o presidente queria, poderia ter outros desdobramentos e se transformar numa “Lava-Jato 2”.
De acordo com interlocutores de Toffoli, Lula teria respondido com um palavrão. E dito novamente que, se seu próprio filho estivesse envolvido em qualquer escândalo, tinha de pagar. O presidente foi categórico: insistiu para o ministro renunciar ao caso o mais rápido possível e deixar que cada um se defendesse na primeira instância.
Para Lula, o escândalo prejudica o governo neste ano eleitoral e pode ter consequências imprevisíveis. Monitoramentos feitos pelo Palácio do Planalto em redes sociais mostram haver uma avaliação de que Toffoli age para “abafar” a crise e proteger a si mesmo e ao PT.
O ministro, por sua vez, tem dito que a PF está fazendo investigações clandestinas, proibidas por lei, e promove vazamentos com informações distorcidas.
Reunião
Parlamentares e dirigentes do PT convocaram uma reunião de emergência com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e com Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, no início deste ano, depois do alerta de que havia políticos do partido implicados no escândalo.
Costa e Wagner são ex-governadores da Bahia e asseguraram que os contatos mantidos com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, se resumiam à licitação de venda da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal). “Não há problema nenhum ali. Conversamos e vimos todos os documentos. Estamos tranquilos”, disse ao Estadão o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC).
Lula planejava receber Toffoli para uma nova conversa depois do carnaval, mas está tão irritado com o ministro – indicado por ele para ocupar a cadeira no STF em 2009 – que ainda avalia a conveniência do novo encontro.
Conforme o Estadão, o ministro puxou o caso Master para o STF, atendendo a um pedido da defesa de Vorcaro, por causa da apreensão de documentos de uma transação imobiliária do banqueiro com o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA).
A Fachin e a seus colegas, Toffoli negou relações pessoais com Vorcaro e desmentiu ter recebido recursos do banqueiro, embora admita ser sócio da empresa Maridt. A firma tinha participação no resort Tayayá, situado em Ribeirão Claro, no Paraná, mas vendeu sua fatia no negócio a fundos de investimento controlados pelo empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
O ministro argumenta que em 2021, quando a Maridt vendeu pela primeira vez parte de sua fatia no negócio de hospedagem, ninguém sabia das ligações de Vorcaro com falcatruas. Toffoli afirma que se trata de uma “empresa familiar”, com sede em Marília (SP), administrada por seus irmãos José Eugênio e José Carlos. Aos colegas da Corte, sustentou que todas as transações financeiras da Maridt foram declaradas à Receita Federal. (Com informações de O Estado de S. Paulo)