Segunda-feira, 30 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 30 de março de 2026
Depois de viralizar este mês fazendo danças ao som do funk “Zero Um, Novo Capitão” em eventos na Paraíba e em Rondônia, o senador Flávio Bolsonaro (PL) passou os últimos dias perguntando a interlocutores se gostaram do que fez. Aliados como o deputado federal Gustavo Gayer (PL) apenas brincaram — o parlamentar goiano disse ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro que ele parecia um orangotango no palco. No entanto, quem mexe com imagem no seu entorno o alertou: os vídeos que inundaram a internet nas últimas semanas passam imagem de imaturidade e falta de postura de um presidenciável. Flávio ouviu e prometeu não repetir.
Na busca por reduzir a rejeição ao sobrenome Bolsonaro, Flávio vem dando sinais de que ouvirá mais profissionais da área da comunicação do que o seu pai, sempre adepto ao improviso nas manifestações públicas. Tudo que o senador vem fazendo na internet recentemente — desde vestir uma camisa com a mensagem “pai de menina” até ficar em silêncio com relação ao caso Master — é calculado. Dançar no palco foi apenas uma imitação dos presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump, em campanhas recentes sem que qualquer debate interno tivesse sido feito antes.
Nos últimos dias, mais movimentos na área de comunicação foram feitos. Flávio encaminhou acerto com um desafeto do irmão Carlos para tocar a sua estratégia digital em 2026. Vai fechar contrato com Marcos Carvalho, coordenador de redes da primeira campanha ao Planalto de Jair Bolsonaro e que brigou com o ex-vereador — a ponto de ser retirado da equipe de transição em novembro de 2018, logo depois da vitória contra Fernando Haddad, do PT.
Naquele ano, Carlos se incomodou com o protagonismo dado a Carvalho em reportagens que o chamavam de “marqueteiro digital” da campanha do pai. “Tem uma galera que não se cansa de querer aparecer e usando títulos que não refletem em uma linha de verdade! Todo mundo querendo se dar bem de algum jeito!”, escreveu Carlos, há oito anos, sobre o novo estrategista digital do irmão.
Investigações no Congresso apontaram protagonismo de Carvalho. Em 2020, ele chegou a depor na CPI das Fake News sobre a suspeita de ter operado um esquema de disparo em massa de mensagens na campanha de Jair Bolsonaro. Acabou negando as acusações e, dois anos depois, consolidou o seu rompimento com os Bolsonaro. Além de ter declarado voto em Lula, também auxiliou em campanhas do PT como a de Jerônimo Rodrigues ao governo da Bahia.
Com o fundo eleitoral do PL, haverá muito mais recursos para a direita investir agora com guerra digital do que nas últimas eleições. A prestação de contas da campanha de Jair Bolsonaro em 2018 pelo nanico PSL apontou gastos de R$ 650 mil com a AM4, agência de Marcos Carvalho. Quatro anos depois, só com impulsionamento de conteúdo nas redes, o ex-presidente gastou R$ 29 milhões do total de R$ 67 milhões destinados a propaganda, incluindo rádio e TV. Flávio estima um investimento ainda maior que o pai há quatro anos — o PL deve triplicar o seu valor disponível para o fundo eleitoral e chegar a quase R$ 900 milhões.
Tanto dinheiro em caixa para o período eleitoral segue levando Flávio a sonhar com uma estrela do marketing político para tocar a sua campanha. O senador vinha conversando com Paulo Vasconcelos, que elaborou a estratégia vitoriosa de Cláudio Castro, em 2022 no Rio, e Fuad Noman, em 2024 em Belo Horizonte. Vasconcelos, contudo, está amarrado a um contrato com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que voltou a ganhar força como presidenciável após o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), desistir da disputa para o Planalto.
Na mesa de Flávio, agora, está o nome de Renato Pereira, ex-marqueteiro de Eduardo Paes, Sérgio Cabral e Marcelo Freixo. Pereira neste momento está na campanha de Romeu Zema (Novo) e também já foi sondado para trabalhar com o ex-secretário de Cidades, Douglas Ruas, no Rio, e a governadora Rachel Lyra, em Pernambuco.
Todo profissional que é sondado para trabalhar com Flávio tenta projetar como será a relação com Carlos Bolsonaro. Além de ter defenestrado Marcos Carvalho do entorno do pai em 2018, o ex-vereador e agora pré-candidato ao Senado em Santa Catarina passou a campanha toda de 2022 alfinetando Duda Lima, coordenador de comunicação da campanha de Bolsonaro. “Vou continuar fazendo o meu aqui e dane-se esse papo de profissionais do marketing!”, postou Carlos, naquele ano, depois de ir ao ar inserção de TV do pai falando que não houve corrupção em seu governo. (Com informações do jornal O Globo)