Sexta-feira, 24 de maio de 2024

Na Câmara, bolsonaristas tumultuam sessão de homenagem ao aniversário do PT

Deputados bolsonaristas causaram tumulto durante a homenagem aos 44 de fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), realizada no plenário da Câmara dos Deputados nessa quarta-feira (20). Na sessão solene, Eduardo Bolsonaro, Coronel Meira e Paulo Bilynskyj, todos do Partido Liberal (PL), exibiram uma faixa com os dizeres “44 anos de corrupção. Parabéns”, ironizando o aniversário petista.

A cena foi compartilhada no X, ex-Twitter, pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Enquanto os parlamentares seguravam a faixa, houve trocas de insultos e exaltação. O deputado petista que gravou o momento, pergunta aos bolsonaristas “e o ladrão de joias?”, fazendo referência ao caso das joias sauditas, revelado pelo Estadão, em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentou trazer ilegalmente ao Brasil um conjunto de colar, anel, relógio e um par de brincos de diamantes avaliados em € 3 milhões, o equivalente a R$ 16,5 milhões.

A deputada que presidia a sessão, Maria do Rosário (PT-RS), chamou a Polícia Legislativa a fim de que a faixa fosse guardada e pediu “aos deputados que não respeitam a democracia”, que respeitassem os mandatos que exercem. Ela ainda solicitou diversas vezes para que os parlamentares se afastassem, afirmando que “ninguém toca em deputado”.

Sob gritos de “sem anistia” e vaias, os deputados do PL foram retirados do plenário por policiais legislativos. Após agradecer os profissionais, Maria do Rosário pediu a ajuda dos demais parlamentares para retomar a sessão “com paz, tranquilidade e democracia”.

Festa

O PT, sigla do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, celebrou seus 44 anos em um jantar na noite dessa quarta, em Brasília.

O evento, contou com a participação especial da primeira-dama, Rosângela da Silva, mais conhecida como Janja, e ministros do atual governo, oferecia ingressos em três categorias de preços: R$ 350, R$ 5 mil e R$ 20 mil.

O tema escolhido para a festa foi “Em cada canto, um Brasil mais feliz”.

História

O PT foi fundado por um grupo heterogêneo, formado por militantes de oposição à Ditadura Militar, sindicalistas, intelectuais, artistas e católicos ligados à Teologia da Libertação, no dia 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo.

O partido foi fruto da aproximação entre os movimentos sindicais da região do ABC, que organizaram grandes greves entre 1978 e 1980, e militantes antigos da esquerda brasileira, entre eles ex-presos políticos e exilados que tiveram seus direitos devolvidos pela lei da anistia. Desde a fundação, o partido assumiu a defesa do socialismo democrático.

Após o golpe de 1964, o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) – federação de trabalhadores que desde a Era Vargas reunia dirigentes sindicais tutelados pelo Ministério do Trabalho – foi dissolvido, e os sindicatos passaram a sofrer intervenção do regime militar.

O surgimento de um movimento organizado de trabalhadores, notabilizado pelas greves lideradas por Lula no final da década de 1970, permitiu a reorganização de um movimento sindical independente do Estado, o que foi concretizado na criação da Conferência das Classes Trabalhadoras (CONCLAT), que viria ser o embrião da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Originalmente, esse novo movimento trabalhista buscava fazer política exclusivamente na esfera sindical. No entanto, a sobrevivência de um sindicalismo controlado pelo Estado, somada à persistente influência de partidos de esquerda tradicionais como o Partido Comunista Brasileiro sobre o movimento sindical, fizeram com que os trabalhadores do ABC, estimulados por lideranças de esquerda anti-stalinistas, procurassem identidade própria na criação de seu próprio partido político.

O PT surgiu, assim, rejeitando tanto as tradicionais lideranças do sindicalismo oficial, como também procurando colocar em prática uma nova forma de socialismo democrático, recusando modelos já então em decadência, como o soviético e o chinês. Significou a confluência do sindicalismo basista da época com a intelectualidade de Esquerda antistalinista.

O manifesto de fundação foi lançado no dia 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion em São Paulo, e publicado no Diário Oficial da União em 21 de outubro daquele mesmo ano. Mais tarde, foi oficialmente reconhecido como partido político pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral no dia 11 de fevereiro de 1982.

A ficha de filiação número um foi assinada por Apolonio de Carvalho, seguido pelo crítico de arte Mário Pedrosa, pelo crítico literário Antonio Candido e pelo historiador e jornalista Sérgio Buarque de Hollanda.

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