Sábado, 12 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 12 de setembro de 2026
O chanceler Mauro Vieira afirmou neste sábado (12) que o atual sistema de governança global entrou em “colapso” e que o bloco precisa defender um “multilateralismo renovado e legítimo”. A fala foi feita durante discurso na abertura da cúpula do Brics, em Nova Delhi, na Índia.
O ministro brasileiro citou a crise humanitária em Cuba, as intervenções na América Latina e as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio como exemplos de desrespeito ao direito internacional.
“Em meio ao colapso da velha ordem, a voz do Brics deve se erguer em defesa de um multilateralismo renovado e legítimo”, afirmou. O chanceler está representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não pôde participar da cúpula por causa da reta final da campanha eleitoral.
Para garantir a renovação do multilateralismo e o respeito ao direito internacional, Vieira voltou a lembrar que o governo brasileiro defende reformas profundas no sistema de governança global, especialmente no Conselho de Segurança da ONU.
Ele mencionou também a necessidade de mudanças na OMC (Organização Mundial do Comércio) e nas instituições financeiras globais, como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.
“O Brasil está convencido de que não podemos alcançar esses objetivos sem reformar a arquitetura da governança global, tendo o Sul Global como o principal motor desse processo”, disse.
“A paralisia virtual do Conselho de Segurança contribui para a erosão da arquitetura de paz e segurança internacionais que, apesar de todas as suas falhas, poupou gerações do flagelo da guerra”, pontuou.
O ministro também defendeu a unidade do grupo para avançar com essas propostas, mesmo reconhecendo que o Brics atualmente reúne países que possuem posições divergentes.
“Agora, como um grupo ampliado, devemos corresponder ao nosso peso crescente com um senso de responsabilidade para atuar como uma força coesa em prol dos interesses do Sul Global”, afirmou.
Em entrevista exclusiva à CNN Brasil na véspera da cúpula, o chanceler já havia defendido a ideia de que o Brics, por ser um grupo expressivo, mas relativamente pequeno, pode superar suas divergências e encontrar soluções para vários problemas através de um diálogo mais próximo entre os governos.
Diplomatas destacaram que um exemplo disso aconteceu justamente na cúpula em Nova Délhi, quando Irã e Emirados Árabes Unidos conseguiram superar suas diferenças e aprovaram o comunicado final do encontro – apesar de estarem em lados opostos na guerra do Oriente Médio. “A diplomacia funcionou”, resumiu um embaixador experiente em negociações do tipo.
Vieira se reúne com chanceleres de Cuba e Irã
Às margens da cúpula, o chanceler brasileiro também participou de três reuniões bilaterais: com o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla; o chanceler do Irã, Abbas Araghchi; e a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala.
Com o cubano, Vieira discutiu o impacto das sanções econômicas contra a ilha, impedida pelos Estados Unidos de comprar petróleo, o que está causando uma crise humanitária no país.
O Brasil, inclusive, defendeu fortemente a inclusão de um parágrafo condenando as sanções no comunicado final do Brics, que acabou aprovado por unanimidade. Araghchi apresentou ao ministro brasileiro a posição do seu governo sobre uma possível saída negociada para a guerra com os Estados Unidos.
Segundo o iraniano, uma saída diplomática seria possível apenas dentro das condições colocadas no memorando de entendimento que levou a um cessar-fogo temporário no país.