Quarta-feira, 29 de abril de 2026

Na visita a Washington, Lula afirmou que o Brasil é soberano na Amazônia, mas que a região não deve ser vista “como um santuário da humanidade, mas como um centro de pesquisa” mundial

Em reunião na Casa Branca, Luiz Inácio Lula da Silva propôs ao presidente americano, Joe Biden, uma governança global para a questão climática. Na visita a Washington, o petista afirmou que o Brasil é soberano na Amazônia, mas destacou que a região não deve ser vista “como um santuário da humanidade, mas como um centro de pesquisa” mundial.

O comunicado conjunto divulgado após o encontro diz que, como parte dos esforços dos dois países na área ambiental, “os Estados Unidos anunciaram sua intenção de trabalhar com o Congresso para fornecer recursos para programas de proteção e conservação da Amazônia brasileira, incluindo apoio inicial ao Fundo Amazônia”.

O fundo foi criado em 2008 e conta com recursos da Alemanha e da Noruega (cerca de US$ 1,2 bilhão). Lula afirmou em entrevista que acredita que os EUA vão aderir ao fundo. “É necessário que participem.”

Ao procurar explicar sua ideia de governança global, o presidente brasileiro citou organismos internacionais e a necessidade de cumprimento dos acordos ambientais.

“Não sei qual é o fórum, se é na ONU, no G-20, no G-8, mas alguma coisa temos de fazer para que a gente obrigue países, os nossos Congressos, os nossos empresários a acatar decisões que nós tomamos a nível global”, afirmou no Salão Oval. “Se isso não acontecer, a nossa discussão sobre a questão climática ficará muito prejudicada.” O petista acrescentou que “não há muito tempo” e tomar atitudes é “urgente”. “Vamos fazer um esforço muito grande para transformar a Amazônia não num santuário da humanidade, mas num centro de pesquisa compartilhado com o mundo todo.”

Biden também defendeu a união de EUA e Brasil para enfrentar problemas globais. “Nossos valores em comum e os fortes laços entre os nossos povos tornam Brasil e EUA parceiros naturais para enfrentar os desafios globais atuais e especialmente as mudanças climáticas”, afirmou Biden.

Outro tema de convergência entre o democrata e o petista foi a repulsa a atos antidemocráticos nos Estados Unidos e no Brasil. Biden disse que as democracias dos dois países “foram testadas”, mas prevaleceram.

Semelhanças

Lula, durante o encontro na Casa Branca, reiterou as críticas a Jair Bolsonaro (PL). Acusou o antecessor de incentivar o garimpo em terras indígenas e o desmatamento da floresta amazônica e disse que o ex-presidente – que está na Flórida desde antes da posse – isolou o Brasil do mundo, não gostava de manter relações com outros países e repetia fake news “de manhã, de tarde e de noite”. Biden riu e emendou: “Soa familiar”, em referência ao americano Donald Trump.

Biden disse ao brasileiro que as agendas dos dois governos parecem “muito semelhantes” e afirmou que as duas nações rejeitam a violência política. “Estamos juntos na defesa das instituições democráticas”, afirmou. “Temos de continuar a defender juntos os valores democráticos que constituem o núcleo da nossa força, não só no hemisfério, como no mundo”, disse. “As nossas duas nações são democracias fortes e foram testadas, duramente testadas. Em ambos os casos, a democracia prevaleceu.”

O presidente brasileiro disse também que os dois países devem trabalhar juntos para combater as desigualdades e o racismo. Durante a fala de Lula, Biden acenou com a cabeça, em concordância.

Guerra

O comunicado conjunto divulgado após o encontro propõe uma “paz justa e duradoura” em relação à invasão russa na Ucrânia. Diz que Lula e Biden “lamentaram a violação da integridade territorial da Ucrânia pela Rússia e a anexação de partes de seu território como violações flagrantes do direito internacional”. Conforme o documento, os líderes expressaram preocupação com os efeitos globais do conflito na segurança energética e alimentar.

A manifestação conjunta também destaca uma antiga reivindicação brasileira ao afirmar que os “dois líderes expressaram a intenção de trabalhar juntos para uma reforma significativa do Conselho de Segurança das Nações Unidas”. A ideia é atuar pela expansão do órgão com o objetivo de incluir assentos permanentes para países na África, na América Latina e no Caribe.

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