Sábado, 28 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 28 de fevereiro de 2026
A atriz e modelo Nana Gouvêa, de 50 anos, tornou público que foi obrigada a se casar aos 16 anos após engravidar. Ela contou que sofreu violência sexual quando era adolescente, descobriu que estava grávida e foi forçada pela família a manter um relacionamento com o homem. A declaração foi feita após a repercussão de um caso julgado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que absolveu um homem condenado por estupro contra uma menina de 12 anos.
Em depoimento emocionado a Quem, Nana expôs os abusos que sofreu desde a infância, contou ter sido assediada pela primeira vez aos seis anos de idade, e ter perdido a virgindade em um estupro. Ela revelou ainda que, ao longo dos anos, enfrentou novas situações de violência, inclusive dentro do próprio círculo familiar. Sem qualquer orientação sobre sexualidade e limites, cresceu carregando medo, culpa e silêncio.
Nana relatou que vivia em um ambiente doméstico marcado por controle e violência psicológica. Segundo ela, o pai mantinha uma imagem respeitada socialmente, mas dentro de casa exercia domínio financeiro e emocional sobre a mãe e as filhas. Na adolescência, após engravidar, foi agredida e responsabilizada pela situação. “A culpa é sempre da mulher”, lamenta.
Já adulta, viveu um relacionamento abusivo. Durante o parto da segunda filha, o então marido a impediu de realizar uma laqueadura previamente autorizada, usando a legislação para decidir por ela enquanto estava anestesiada. O episódio marcou profundamente sua trajetória. “Chorei o parto inteiro. Ele me roubou o sorriso de ver minha filha nascer”, lembra.
A virada veio quando ela decidiu deixar o casamento e recomeçar a vida no Rio de Janeiro, onde construiu a carreira artística e conquistou independência financeira. Hoje, vivendo nos Estados Unidos e com as filhas adultas, Nana fala sobre o passado para alertar outras mulheres e meninas. Para ela, o enfrentamento da violência passa por educação sem tabus, informação clara sobre o corpo e a quebra do silêncio. “A vítima não tem culpa. Nunca”, afirma.