Quinta-feira, 21 de maio de 2026

“Não estou aqui para defender nem acusar”, diz presidente do Progressistas sobre Flávio Bolsonaro

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) evitou sair em defesa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao comentar, nesta quinta-feira (21), as investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o caso Banco Master. Em entrevista à TV Clube, o presidente nacional do Progressistas afirmou que as apurações devem ocorrer “com isenção” e sem proteção política.

“Eu não estou aqui para defender nem acusar o senador Flávio. Ele tem que ser investigado, como todos, como eu estou sendo. E, se for inocente, que seja, lógico, reconhecida a sua inocência. Se for culpado, tem que pagar exemplarmente”, declarou.

O senador afirmou que, em sua avaliação, ninguém deve estar acima da lei e que casos envolvendo suspeitas de irregularidades precisam ser tratados com rigor pelas autoridades.

“Neste país, não pode mais haver ninguém cometendo ilícito que possa ser beneficiado por proteção. Temos que investigar com isenção e, quem for inocente, que seja considerado inocente. E, se for culpado, que pague severamente, de acordo com a lei”, completou.

Ciro Nogueira também disse esperar que a Polícia Federal e o Ministério Público esclareçam rapidamente o caso envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.

“Ninguém está acima de ser investigado. Tem que haver uma investigação séria e isenta”, afirmou.

Ao longo da entrevista, o senador criticou o que chamou de “vazamentos seletivos” relacionados às investigações, alegando que informações envolvendo nomes ligados à oposição acabam tendo maior exposição pública.

Questionado sobre declarações anteriores, nas quais afirmou que deixaria a vida pública caso fossem comprovados ilícitos envolvendo seu nome, Ciro reafirmou a posição.

“Se for comprovada alguma coisa ilícita que possa manchar a minha honra, eu jamais vou voltar para o meu estado com alguma mácula no meu mandato”, disse.

O presidente do Progressistas também comentou os possíveis impactos políticos do caso sobre a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Para isso, citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como exemplo de reviravolta política.

“Nós já tivemos no país um presidente da República que ficou preso 500 dias e hoje é o presidente da República. Então, espero que se esclareçam essas situações”, declarou.

“Eu não estou aqui para pré-julgar nem para absolver ninguém. Acho que temos que confiar no trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e, principalmente, da Justiça, para fazer um julgamento isento”, acrescentou.

No último dia 7 de maio, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Entre os alvos da operação estava o próprio Ciro Nogueira. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador em Brasília e no Piauí.

O irmão do parlamentar, Raimundo Nogueira, também foi alvo da operação e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. Após a ação da PF, Ciro afirmou que estava colaborando com as investigações e questionou a realização das operações em período pré-eleitoral.

Já Flávio Bolsonaro passou a ser citado nas investigações após vir a público que Daniel Vorcaro ajudou a financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo as apurações, o banqueiro teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões para o projeto audiovisual.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília sob acusação de chefiar um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras que, segundo investigadores, pode chegar a R$ 12 bilhões.

As informações sobre a relação entre Vorcaro e Flávio foram divulgadas pelo portal Intercept Brasil, que revelou mensagens trocadas entre os dois e um áudio enviado pelo senador ao banqueiro em setembro do ano passado. Os dois também tiveram um encontro presencial após a primeira prisão de Vorcaro, no fim de 2025.

Sobre o caso, Flávio Bolsonaro afirma que o aporte financeiro era apenas um patrocínio privado e que desconhecia a gravidade das investigações envolvendo o banqueiro quando buscou o investimento para o filme.

“Eu fui, sim, para o encontro dele, para botar um ponto final nessa história e dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco”, declarou o senador.

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