Terça-feira, 08 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 6 de janeiro de 2024
Um ano depois dos ataques de 8 de janeiro, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram os prédios dos Três Poderes, em Brasília, uma pequena parcela dos envolvidos com o episódio permanece atrás das grades. Entre os mais de 2 mil presos acusados de participação nos atos antidemocráticos, 66 continuam encarceradas e outras duas foram transferidas para hospitais psiquiátricos. Há ainda 128 pessoas monitoradas por tornozeleira eletrônica, que, mesmo tendo retornado ao convívio de suas famílias, seguem com restrições de uso de redes sociais e de deslocamento, além da suspensão de passaportes e da obrigação de se apresentar semanalmente à Justiça.
Entre as figuras que ganharam notoriedade seja pela destruição de itens do patrimônio histórico do país ou por transmissões ao vivo e gravações de vídeo nas redes sociais durante o ataque, há a idosa Fátima Mendonça Jacinto Souza, de 68 anos, que ficou conhecida como “Fátima Tubarão”. Ela registrou a si mesma dentro do prédio do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto proferia ofensas ao ministro Alexandre de Moraes. Fátima permanece presa, assim como Antônio Claudio Alves Ferreira, flagrado em um vídeo no Palácio do Planalto destruindo um relógio que pertenceu a Dom João VI, e Débora Rodrigues dos Santos, que pichou a frase “Perdeu, mané” na estátua da Justiça, diante da sede do STF.
Quem também segue encarcerada é Ana Priscila Azevedo, que chegou a ser apontada como uma das organizadoras dos atos, mas posteriormente também foi acusada por outros envolvidos no ataque de ser uma infiltrada no movimento. Desde o dia 10 de janeiro no presídio da Colmeia, em Brasília, ela só saiu da cadeia uma vez, quando foi convocada a depor na CPI que investigou os protestos golpistas na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Através de seus advogados, a bancária alega que suas falas sobre os protestos “foram mal interpretadas” e reafirma seu apoio à causa dos patriotas, sem citar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Nunca arquitetei qualquer agressão, violência ou vandalismo. Não me arrependo de ser patriota. Minhas falas foram mal interpretadas, sequestraram as minhas falas. Em 11 anos de ativismo, nunca pichei um muro ou pratiquei qualquer ato de vandalismo”, garante Ana Priscila, em carta enviada ao jornal por meio de sua defesa.
Já o pastor Oziel Lara dos Santos, ao relembrar os 11 meses que passou preso, revela que se arrepende “em parte” de ter participado dos atos. O religioso, que deixou a cadeia em dezembro, conta que, no dia da manifestação golpista, sua intenção era “estender uma bandeira do Brasil no chão, colocar uma bíblia e um exemplar da Constituição em cima dela, e orar”.
Veja como estão outros personagens emblemáticos do 8 de janeiro.
Cantora gospel
A cantora gospel Fernanda Rodrigues de Oliveira, conhecida por seu nome artístico Fernanda Ôliver, ficou três meses presa durante 2023 por ter participado dos atos golpistas. A experiência, segundo seus advogados, foi difícil, marcando a jovem de 25 anos profundamente. Atualmente em casa, usando tornozeleira eletrônica, ela ainda não retomou a carreira artística e tem preferido passar o tempo livre com a família.
Golpista togado
Willian da Silva Lima, de 25 anos, ficou conhecido como “golpista togado” por ter sido detido ainda no dia 8 de janeiro vestindo o traje de um ministro do Supremo. Ele só deixou a cadeia em dezembro. Após os 11 meses de reclusão, ele retomou suas atividades de seminarista na igreja do Nazareno em Brasília, onde estuda para se tornar pastor evangélico.
Primeiro condenado
Primeiro condenado por participação nos atos de 8 de janeiro no STF, Aécio Lúcio Costa Pereira segue preso no presídio da Papuda, em Brasília. Morador de Diadema, ele foi até Brasília a convite de amigos que participavam de acampamentos diante de quartéis em São Paulo. Aécio também fazia parte de um grupo autointitulado “Patriotas”. Após ser preso, no próprio 8 de janeiro, alegou que tinha como objetivo “lutar pela liberdade”. Ele também afirmou que acreditava que a manifestação seria pacífica, além de ter negado ser responsável por danos ao patrimônio ou ter praticado atos de violência.