Domingo, 01 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 31 de janeiro de 2026

Ato na Redenção integra mobilização nacional contra a violência e a impunidade em crimes contra animais.
Neste domingo, às 10h, o coração de Porto Alegre vai pulsar diferente. O Parque da Redenção será tomado por vozes e cartazes em uma manifestação que pede justiça para Orelha, o cão comunitário brutalmente agredido na Praia Brava, em Florianópolis, no início de janeiro. Orelha não resistiu aos ferimentos, mas sua morte transformou-se em bandeira de uma causa que mobiliza milhares de pessoas em todo o Brasil.
Orelha era parte da comunidade, um amigo silencioso que recebia carinho de quem passava. Sua vida foi interrompida de forma cruel por quatro adolescentes, e três adultos foram indiciados por tentar coagir testemunhas. O caso escancarou a impunidade que insiste em se perpetuar quando o assunto é violência contra animais.
Em Porto Alegre, a manifestação é organizada por Renata Zanardi e Luisa Sigaran, coordenadora do Abrigo do Gasômetro. Para elas, o ato não é apenas em memória de Orelha, mas por todos os animais que sofrem diariamente em silêncio. “Todos os dias recebemos centenas de pedidos de ajuda e denúncias. Enquanto esses criminosos não forem responsabilizados, a violência continuará. A justiça só acontece quando é exigida”, disse Renata.
A Redenção, palco histórico de encontros e protestos, será neste domingo o espaço da indignação transformada em ação. Cada pessoa presente representará não apenas a dor pela morte de Orelha, mas também a esperança de que a sociedade finalmente diga basta. “Não é só pelo Orelha, mas por todas as vítimas negligenciadas justamente por aqueles que deveriam proteger. Precisamos que a causa animal seja levada a sério e que criminosos sejam responsabilizados”, reforçou Renata.
Luisa Sigaran lembra que o movimento é “100% organizado pela sociedade civil”, sem vínculos partidários. É a união de cidadãos comuns que não aceitam mais o silêncio diante da crueldade. “A violência não tem lugar dentro da sociedade. Ela tem que acabar. A impunidade não pode continuar se perpetuando”, declarou.
A expectativa é de que centenas de pessoas compareçam ao ato em Porto Alegre, levando cartazes e principalmente sua voz. Mais do que um protesto, será um momento de união, de dor compartilhada e de reafirmação de valores: justiça, respeito e dignidade.
O caso de Orelha expôs a fragilidade da legislação brasileira e a falta de políticas públicas consistentes para a proteção animal. Para os organizadores, enquanto não houver fiscalização e aplicação rigorosa das leis, a violência continuará sendo rotina.
Neste domingo, às 10h, a Redenção será mais do que um parque. Será o palco da memória de Orelha, da indignação que não se cala e da esperança de que sua morte não tenha sido em vão. Orelha não será esquecido – sua história se tornou símbolo de uma luta que exige atenção, respeito e mudança. (Por Gisele Flores- gisele@pampa.com.br)