Sábado, 17 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 17 de janeiro de 2026
Nos quase dois meses em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ficou preso na Superintendência da PF (Polícia Federal) em Brasília, a defesa apresentou uma série de pedidos relacionados às condições de custódia.
Essas solicitações incluíram desde acesso a equipamentos e serviços até ajustes estruturais na cela e autorizações para atividades religiosas, educacionais e de saúde.
Entre os pedidos, os advogados solicitaram, em janeiro, que Bolsonaro tivesse acesso a uma smart TV. Segundo a defesa, o contato com meios de comunicação, especialmente com programação jornalística, seria fundamental para manter o “vínculo do custodiado com a realidade social, política e institucional do País”.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), rejeitou o pedido, argumentando que a legislação não garante acesso a aparelhos conectados à internet e que o equipamento representaria “risco à segurança institucional”.
A defesa também pediu a inclusão de Bolsonaro no programa de remição de pena pela leitura, que permite reduzir quatro dias de pena por obra lida. Na petição, os advogados afirmaram que o ex-presidente pretende realizar “leituras periódicas” e entregar os relatórios manuscritos exigidos pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A solicitação foi aceita pelo ministro.
Outro pedido apresentado foi o de receber assistência religiosa, com a solicitação de visitas do bispo Robson Lemos Rodovalho e do pastor Thiago de Araújo Macieira Manzoni. Moraes acatou, ressaltando que Bolsonaro tem direito ao exercício da liberdade religiosa.
Os advogados também solicitaram providências em relação a um barulho contínuo do ar-condicionado instalado próximo à cela, alegando que o ruído interromperia o “repouso mínimo necessário” e causaria prejuízos à recuperação física e psicológica do ex-presidente. Com isso, a PF passou a desligar diariamente a central de ar-condicionado durante o período noturno.
Outra demanda da defesa envolveu as visitas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Os advogados pediram que ela pudesse visitar o ex-presidente sem necessidade de autorização prévia todas as semanas. Moraes autorizou a entrada dela, desde que dentro dos horários fixados pela PF, terças e quintas, das 9h às 11h.
Advogados solicitaram sessões diárias de fisioterapia, justificando que o tratamento seria necessário para manter o condicionamento físico do ex-presidente e auxiliá-lo nas crises de soluço. O pedido foi atendido, com a determinação de que as sessões ocorram em dias úteis, durante o período do banho de sol.
A defesa também pediu autorização para que Bolsonaro fosse submetido a uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral após a equipe médica apontar a necessidade de intervenção. O ministro autorizou a transferência e o procedimento foi feito no dia do Natal. O ex-presidente passou cerca de uma semana internado e pôde passar a ceia de Natal e a véspera de ano novo com a família no hospital.
Papudinha
Condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro foi transferido para a Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, na quinta-feira (15), após decisão de Moraes.
A cela destinada ao ex-presidente possui 64,83 m², divididos entre 54,76 m² de área coberta e 10,07 m² de área externa. O ambiente conta com cozinha equipada para preparo e armazenamento de alimentos, geladeira, armários, cama de casal, televisão e banheiro com chuveiro de água quente. O espaço externo permite banho de sol com total privacidade e horário livre.
As visitas poderão ocorrer tanto na área interna quanto na externa, que contam com cadeiras e mesa. O horário na Papudinha é ampliado e permite até três faixas diferentes, em dois dias da semana (quartas e quintas-feiras): das 8h às 10h, das 11h às 13h ou das 14h às 16h. Também é possível a realização de visitas simultâneas. As informações são da CNN.