Sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Nosso silêncio

Diógenes não foi totalmente esquecido, ou foi? Lembram? O filósofo grego, dizem uns, o pai do cinismo, outros, o defensor da liberdade e da prática do simples, da natureza, da rejeição aos bens materiais, poder, luxos, enfim. Contam que a luz do dia, andava na rua com uma lanterna acesa na mão a procura de um homem honesto.

Se vivesse hoje, antes de conseguir expor suas ideias, seria taxado de esquerdista ou de direitista, de promover um levante contra o status quo, pouco importa de que lado estivesse. Uma afronta ao direito democratico de livre expressão que agora tem dono, limites, regras, fiscais e julgadores, em nome de um bem comum que eu não conheço mais. Ele, Diógenes, se caminhasse tão somente nas tortuosas vias dos três poderes, nada encontraria, a não ser o absoluto silêncio dos que querem um outro pais, certamente a lanterna apagaria.

Estamos passando por episódios tão claros que desnecessário luz, esclarecimento, avaliação, investigação, ou seja lá o que for. O momento mais cristalino é o banco master, assim mesmo, com letra minúscula. Uma instituição que nasceu faz 5 ou 6 anos, sem lastro, sem base, ofereceu o que não tinha, conviveu com a classe que não lê este artigo, contratualizou indistintamente com o cenário público e o privado e, pasmem, ambos aderiram ajoelhados.

Lamento, não tenho outra palavra. Foi um verdadeiro “171” com letras garrafais e maiúsculas. Pessoas perderam suas poupanças, investidores, suas economias. Mas isso não é tudo, o país está perdendo o crédito, nós estamos perdendo o crédito porque não se pratica o exercício trivial da ética e da honestidade.

Não deveria, mas estamos quase nos acostumando ao domínio de uns poucos que falam em nome da magistratura como se a totalidade fosse venal, não é, questões de fundo que alcançam o poder de polícia, os órgãos de controle, o parlamento, enfim.

Não somos isso, mas o silêncio ainda se mantém. Alguém começa a dizer aqui, outro ali, lá adiante, hoje, amanhã. A maçã está madura, em algum momento vai cair. Os conceitos vão mudar com as armas da palavra, da ética, da correção, … Creditam a morte de Diogenes diversas causas, a mais corrente foi de velhice aos 90 anos, naqueles tempos um marco. Não achou o que procurava. Uma reflexão , apenas uma, e nós vamos continuar em silêncio?

*Eduardo Battaglia Krause
Advogado e escritor.

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