Terça-feira, 14 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 4 de março de 2024
Um novo depoimento do tenente-coronel Mauro Cid ganha força após dois ex-comandantes das Forças Armadas confirmarem reuniões para tratar de termos de uma minuta para golpe de Estado.
O advogado Cezar Bittencourt, responsável pela defesa do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, afirmou à CNN Brasil que o tenente-coronel está à disposição e “tranquilo”.
A avaliação é de que os depoimentos fortalecem a delação do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro.
No dia 16 de fevereiro, o ex-comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Carlos Alberto Baptista, disse à Polícia Federal ter presenciado as reuniões.
Na condição de testemunha, Baptista foi ouvido pela investigação quatorze dias antes do ex-comandante do Exército, general Freire Gomes, confirmar à PF ter presenciado as supostas reuniões com teor golpista.
Mantida sob sigilo, a oitiva do tenente-brigadeiro também foi longa e trouxe novidades que ajudaram embasar perguntas para o ex-comandante do Exército.
Segundo a CNN, Baptista deu detalhes sobre ao menos duas reuniões para tentar manter o então presidente Bolsonaro na Presidência da República.
Ou seja, as declarações corroboram o que disse o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, em delação premiada assinada no ano passado.
Em um dos encontros, toda a cúpula do Exército, da Marinha e da Aeronáutica estaria presente. Essa reunião teria ocorrido quando Bolsonaro ainda estava na presidência, após as eleições de 2022.
Mensagens obtidas pela PF durante as investigações mostram que, assim como Freire Gomes, Baptista Junior também foi atacado pelo general Walter Braga Netto — ex-ministro da Defesa e vice na chapa de Bolsonaro nas últimas eleições — por não aderir aos planos golpistas.
Nas redes sociais, o tenente-brigadeiro tem publicado mensagens com indiretas. Em uma delas ele diz que a “ambição derrota o caráter dos fracos”.
Na última sexta-feira (1º), foi a vez do ex-comandante do Exército, general Freire Gomes, confirmar a informação, conforme revelou a CNN Brasil.
Os investigadores agora vão se debruçar sobre os detalhes do depoimento e buscam manter o máximo de informações sob sigilo para estudar novos passos da apuração sobre uma tentativa de golpe de Estado.
Freire Gomes precisou ficar na sede da Polícia Federal (PF) em Brasília até as duas horas da manhã deste sábado (2).
Dentre os mais de 20 depoimentos tomados pela autoridade policial após o início da operação Tempo da Verdade, Freire Gomes fez o depoimento mais longo.
Foram cerca de oito horas de depoimento e, como de praxe, após a oitiva, houve leitura e revisão de todas as informações.
Segundo integrantes da investigação, o general respondeu todas as perguntas.