Sexta-feira, 02 de janeiro de 2026

Novo estudo alerta para doença “silenciosa” que mata 1,5 milhão por ano

Um novo estudo aponta que o número de pessoas com função renal reduzida atingiu um recorde global: 788 milhões em 2023, quase o dobro dos 378 milhões registrados em 1990. O crescimento acompanha o envelhecimento populacional e consolidou a doença renal crônica (DRC) como a nona principal causa de morte no mundo, segundo a análise liderada por pesquisadores do NYU Langone Health, da Universidade de Glasgow (Escócia), e do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde (IHME), da Universidade de Washington (EUA).

A doença ocorre quando os rins perdem, de forma progressiva, a capacidade de filtrar resíduos e excesso de líquidos do sangue. Nos estágios iniciais, pode não apresentar sintomas, mas os casos graves exigem diálise, terapia de substituição renal ou transplante.

O levantamento, publicado nesta quinta-feira no prestigioso periódico The Lancet, mostra que cerca de 14% dos adultos no mundo têm doença renal crônica. Em 2023, a doença causou 1,5 milhão de mortes, um aumento de mais de 6% em relação a 1993, mesmo considerando diferenças etárias entre países.

“Nosso trabalho mostra que a doença renal crônica é comum, mortal e está se agravando como um importante problema de saúde pública”, afirmou Josef Coresh, diretor do Instituto de Envelhecimento Ideal da NYU Langone e coautor do estudo em um comunicado. “Essas descobertas apoiam os esforços para que a doença seja reconhecida, junto com o câncer, as doenças cardíacas e os transtornos mentais, como uma prioridade global.”

Em maio de 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu formalmente a DRC em sua meta de reduzir em um terço as mortes prematuras por doenças não transmissíveis até 2030.

Impacto e riscos
O relatório faz parte do Global Burden of Disease (GBD) 2023, o maior esforço internacional de monitoramento de saúde. A análise abrangeu 2.230 artigos científicos e dados nacionais de 133 países.

Os pesquisadores observaram que a função renal comprometida é também um importante fator de risco para doenças cardíacas, contribuindo para cerca de 12% das mortes cardiovasculares globais. A DRC foi ainda a 12ª principal causa de incapacidade em 2023.

Os principais fatores de risco identificados foram:

* hiperglicemia
* hipertensão arterial
* obesidade

Segundo os autores, a maioria dos casos foi diagnosticada nos estágios iniciais da doença. Isso é importante, diz Coresh, porque o tratamento rápido com medicamentos e mudanças no estilo de vida pode evitar a necessidade de intervenções mais drásticas e caras, como diálise e transplante renal.

“A doença renal crônica é subdiagnosticada e subtratada”, afirmou o nefrologista Morgan Grams, coautor do estudo e professor da Escola de Medicina Grossman da NYU. “Nosso relatório destaca a necessidade de ampliar os exames de urina para diagnóstico precoce e garantir que os pacientes tenham acesso ao tratamento.”

Grams ressaltou ainda que, em regiões de baixa renda, como a África Subsaariana, o Sudeste Asiático e a América Latina, o acesso à diálise e ao transplante renal continua limitado.

Nos últimos cinco anos, novos medicamentos vêm mostrando capacidade de retardar a progressão da DRC e de reduzir o risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca, mas, segundo os especialistas, ainda levará tempo para que os resultados apareçam em escala global.

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