Quinta-feira, 09 de dezembro de 2021

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Novo filme da Marvel é quase uma novela bíblica

Novo filme da Marvel, “Eternos” é praticamente uma novela bíblica da Record. A produção é recheada de divindades, aposta em discussões longuíssimas sobre fé e religiosamente abraça a cafonice. Seu elenco reúne atores lindos, com roupas brilhantes e cujos cabelos se mantêm arrumados nos momentos mais caóticos. Sua trama tenta levar para o público reflexões até interessantes sobre determinismo e predestinação, mas lá no fundo a gente percebe que seu objetivo é mais simples: evangelizar os espectadores.

No caso da igreja universal do reino da Marvel, essa evangelização é direcionada para a nova fase de seus heróis. Desde que o vilão Thanos matou metade da galáxia ao estalar os dedos em “Vingadores: Guerra Infinita” (2018) e o Homem de Ferro trouxe essa metade de volta também ao estalar os dedos em “Vingadores: Ultimato” (2019), a empresa entendeu que precisava manter o interesse dos fãs com novos personagens, enredos e um formato que integre as séries de streaming aos filmes. Mas ainda não dá para dizer que se encontrou um caminho.

De tudo o que a Marvel lançou nos últimos dois anos, a nova produção é a mais ambiciosa e a que deveria preencher mais lacunas. Adaptados dos quadrinhos, os Eternos são um grupo de superseres que foram enviados à Terra milhares de anos no passado por Arishem, um outro superser, mais poderoso ainda, da família dos Celestiais. A tarefa dos Eternos é impedir que o grupo de monstros chamados de Deviantes destrua a Terra, sem intervir em mais nada para não tirar o equilíbrio das decisões humanas.

Os paralelos com o mundo real são óbvios. Para compreender o que representam Eternos, Celestiais e Deviantes, basta olhar para as muitas religiões desenvolvidas pelos homens ao longo dos séculos. O problema, contudo, é que discussões muito sérias sobre o sentido da vida soam estranhas vindo de figuras que vestem fantasias coladas ao corpo, soltam piadinhas a cada cinco minutos e estão sempre prontas para cair no tapa. A intenção de misturar filosofia, teologia e super-heróis foi ainda mais árdua pela necessidade de introduzir uma dezena de novos personagens, suas vidas privadas, suas famílias e seus poderes. Foi muita coisa junta, mesmo para uma produção de mais de duas horas e meia.

Deve-se reconhecer que a diretora de “Eternos”, a oscarizada Chloé Zhao (do ótimo “Nomadland”), tentou fugir da fórmula das outras obras de heróis e surpreender. A ousadia é bem-vinda, ainda mais num gênero que parece estar se esgotando. Mas, seguindo a linha das metáforas religiosas do filme, o pecado da ambição pesou demais no resultado final.

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