Sábado, 07 de fevereiro de 2026

Novo líder do PT defende rever autonomia do Banco Central e diz que falta de controle “deu no Banco Master”

Líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC) afirmou que o caso do Banco Master mostra que o Banco Central (BC) não pode ter uma autonomia operacional total. O catarinense, que assumiu o cargo nessa semana no lugar de Lindbergh Farias (RJ), defende uma “autonomia relativa”. Segundo ele, a bancada do PT se reunirá com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para propor uma mudança na lei a fim de aumentar o controle social sobre a autoridade monetária.

Para o parlamentar, além da falta de controle sobre a política de juros questionada pelo partido na época em que foi aprovada a autonomia do Banco Central contra os votos da esquerda, o caso do Banco Master teria mostrado outro problema dessa legislação: a falta de fiscalização adequada sobre fundos e instituições financeiras.

“A partir do Campos Neto, a coisa é mais séria e grave. Quando ele flexibiliza a possibilidade de emissão de títulos ou de não fiscalização de determinados atores financeiros, dá no Banco Master. Olha a gravidade do processo”, afirma. “O que se demonstra na postura autônoma do Banco Central é permitir a flexibilização de regras”, diz.

Em 2021, no governo Bolsonaro, o Congresso aprovou lei que estabeleceu mandatos fixos para o presidente e diretores do Banco Central, com o discurso de reduzir as chances de interferência política.

Campos Neto foi então indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para presidir a instituição. Na gestão dele, o BC fez alertas ao Master para que ajustasse suas condutas, mas foi criticado por adversários por não adotar atitudes mais duras contra o banco.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Uczai afirmou que, “agora, questiona-se a autonomia do Banco Central, aprovada aqui no Congresso. O problema não é a indicação do presidente Lula, o problema é a autonomia do Banco Central dada ao presidente para ele fazer a política monetária em contradição à política fiscal e à política econômica do governo”.

O petista continuou: “A segunda grande contradição é que a autonomia do Banco Central permitiu flexibilizar regras da instituição sem controle social do Congresso, do Tribunal de Contas e do Executivo. E deu o Banco Master. O Campos Neto flexibilizou, permitindo títulos podres. O Banco Central se serviu, no período de Campos Neto, a flexibilizar práticas ilícitas no setor financeiro”.

Em seguida, Uczai foi questionado se vê força política para a revisão da autonomia da instituição. O deputado respondeu: “Água mole em pedra dura. Eu sou um cara teimoso. Tem que fazer um casamento, não retirando totalmente a autonomia do Banco Central, mas tem que ter uma autonomia relativa”.

O deputado acrescentou: “Tem que ter casamento entre as políticas econômica, financeira e monetária. Hoje, a política monetária concentra renda no setor financeiro e nos especuladores. Isso é uma ofensa à economia brasileira”. (As informações são da Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de em foco

Em depoimento, jovem afirma que ministro do Superior Tribunal de Justiça “passou a mão em suas nádegas” no mar
A família Bolsonaro colocou em curso uma ofensiva para que o Partido Liberal lance candidatos a governador em todos os Estados
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play