Sábado, 11 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de abril de 2022
José Mauro Ferreira Coelho tomou posse nesta quinta-feira (14) como novo presidente da Petrobras. O executivo cumpre mandato de um ano e ocupa o lugar do general Joaquim Silva e Luna, que foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro em meio aos reajustes dos preços dos combustíveis.
Ferreira Coelho não endereçou diretamente a questão da política de preços da Petrobras, mas sinalizou que pretende manter o “modelo de gestão” adotado desde 2017 com melhorias na “comunicação da empresa” sobre suas ações.
“Em 2014, a dívida bruta da Petrobras era de US$ 160 bilhões, uma das maiores do mundo corporativo. Hoje, com o novo modelo de gestão da empresa, é de menos de US$ 60 bilhões. A gestão da dívida abre espaço para que façamos investimentos”, disse.
A menção de Coelho à redução da dívida, contudo, está vinculada à política de preços. Ainda na gestão de Pedro Parente, a empresa adotou o preço de paridade de importação (PPI) para definir o preço da gasolina e diesel nas refinarias. O PPI é orientado pelas flutuações do preço do barril de petróleo no mercado internacional e pelo câmbio.
Com o dólar em patamares elevados e o valor crescente das commodities desde o ano passado, essa tem sido a principal injeção de alta no preço dos combustíveis no Brasil. Os seguidos reajustes, apesar de auxiliarem o caixa da empresa, foram as principais motivações para a troca de Silva e Luna e de seu antecessor, o economista Roberto Castello Branco.
“É uma gestão que valorizará o aperfeiçoamento da comunicação, principalmente o aperfeiçoamento da comunicação externa. Buscaremos maior interação com a sociedade, temos que entender a importância que essa empresa tem para o brasileiro e muitas vezes não conseguimos ter uma comunicação que chegue de forma palatável ao povo brasileiro”, disse Coelho.
A troca no comando da Petrobras se deu porque o presidente Jair Bolsonaro e auxiliares próximos chegaram à conclusão de que a empresa estava se comunicando mal e que isso respingava na imagem do governo, em especial quando o assunto era alta dos combustíveis.
Apesar de ter escolhido o general Joaquim Silva e Luna há pouco mais de um ano para comandar a estatal, Bolsonaro foi convencido por aliados que a atuação da empresa havia virado um problema para a tentativa de reeleição.
Desinvestimentos
Em seu discurso, Coelho ressaltou que seus objetivos na gestão da Petrobras serão norteados por “eficiência” e “competitividade”, mantendo a prioridade na exploração de petróleo enquanto faz desinvestimentos em atividades paralelas, como o refino. Ele afirma que a produção deve ser ampliada em 500 mil barris por dia.
“Trabalharemos com aderência ao nosso plano estratégico, o plano 2022-2026. Nesse sentido, continuaremos maximizando o valor do nosso portfólio, com foco em ativos de águas profundas e ultraprofundas. E priorizando os investimentos de exploração e produção na importante província do pré-sal”, disse.
Coelho afirmou ainda que os desinvestimentos em campos maduros continuarão, para que empresas com “porte adequado e experiência nesse tipo de ativos” possam dar continuidade à produção e gerar ganhos de abertura de mercado de petróleo e gás natural. “A Bacia de Campos permanece estratégica para a Petrobras”, afirma.
“Seguimos comprometidos com a melhor alocação do capital, maximizando a geração de valor da empresa. (…) Essa Petrobras, mais forte e mais valorizada, traz maior retorno para o seu acionista e para a sociedade brasileira”, prosseguiu Coelho.
“São mais dividendos pagos à União, mais participações governamentais, como os royalites, e mais tributos pagos a estados e municípios, (…) que levam a uma maior arrecadação desses entes federativos e a maiores investimentos em benefício do cidadão brasileiro, gerando mais emprego e mais renda”.
Ao agradecer ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, Coelho se emocionou e embargou a voz. “Obrigado pela amizade, pela confiança e por levar ao presente Bolsonaro o meu nome para presidir a empresa”, disse.
Quem é o novo presidente da Petrobras
Ferreira Coelho foi presidente do conselho de administração da Pré-Sal Petróleo (PPSA) e ocupou o cargo de secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia até outubro do ano passado. Antes, trabalhou por 12 anos na Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal do governo responsável pelo planejamento do setor elétrico.
O executivo é graduado em química industrial, com mestrado em engenharia dos materiais pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e doutorado em planejamento energético pelo Programa de Planejamento Energético (PPE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A assembleia também aprovou Márcio Andrade Weber como presidente do novo Conselho. Weber é engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com especialização em engenharia de petróleo.
Na terça-feira (12), o Comitê de Pessoas da Petrobras recomendou a aprovação do nome de Coelho para o Conselho. Na quarta (13), a indicação do executivo foi aprovada na assembleia geral de acionistas, e, nesta quinta-feira (14), ele foi eleito presidente da empresa.
O estatuto da empresa prevê que o presidente precisa, primeiro, ser membro do Conselho de Administração, para depois ser eleito para o comando da empresa.
Política de preços
É a segunda vez que Bolsonaro mexe na presidência da empresa por insatisfação com a política de preços para os combustíveis. Silva e Luna havia substituído o economista Roberto Castello Branco, que também sofreu pressão do governo federal por conta dos reajustes do diesel e da gasolina.
Desde 2016, ainda na gestão de Pedro Parente, a Petrobras adotou o preço de paridade de importação (PPI) para definir o preço da gasolina e diesel nas refinarias. O PPI é orientado pelas flutuações do preço do barril de petróleo no mercado internacional e pelo câmbio.
A alta dos preços do petróleo no mercado internacional e o real ainda em patamares relevantes de desvalorização em relação ao dólar fizeram dos combustíveis motores importantes da inflação brasileira. De olho na reeleição, o presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou por diversas vezes a operação e o lucro da Petrobras.
Silva e Luna
O governo anunciou no fim de março que substituiria o general da reserva Joaquim Silva e Luna em meio às insatisfações do presidente Jair Bolsonaro com a política de preços da Petrobras.
Inicialmente, o governo tinha indicado o economista Adriano Pires para a presidência da Petrobras e o empresário Rodolfo Landim para o comando do conselho.
No entanto, ambos desistiram do convite após vir à tona que seus nomes poderiam ser reprovados pelo comitê de pessoas, pois eles possuem ligação com empresas que se relacionam diretamente com a Petrobras, o que poderia configurar eventual conflito de interesses.
Todos os nomes indicados para o alto escalão da companhia passam por uma avaliação interna. O objetivo é saber se eles preenchem os requisitos técnicos e de integridade para a função. A prática foi adotada após escândalos de corrupção na empresa.
Sendo assim, o governo indicou Marcio Andrade Weber para a presidência do conselho e José Mauro Coelho para o comando da estatal.