Quinta-feira, 01 de janeiro de 2026

Número de brasileiros deportados dos Estados Unidos dobra em 2025

O número de brasileiros deportados dos Estados Unidos bateu recorde em 2025 e praticamente dobrou em relação ao ano anterior. Os dados foram divulgados pela Polícia Federal e o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC). Ao menos 3.294 imigrantes do Brasil foram expulsos do território norte-americano ao longo do ano – em 2024, foram 1.648, o que representa um aumento de 99,8%.

O último voo chegou ao Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na noite desta quarta-feira (31), com 124 deportados. O número de 2025 é o maior desde 2020, ano de início da série histórica, e se refere aos deportados em voos fretados do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês).

Em 2025, foram 37 voos, segundo o MDHC. Um deles decolou ainda durante o governo de Joe Biden. Os demais partiram sob a gestão de Donald Trump, que tomou posse em 20 de janeiro.

Os voos fretados haviam sido interrompidos em 2006, quando o Itamaraty alterou a política de trato de brasileiros no exterior, mas voltaram a ser realizados em outubro de 2019, durante a primeira gestão de Trump, com aval do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

De lá para cá, mais de 10 mil brasileiros foram deportados dos EUA. A maioria dos voos teve como destino o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte devido a questões de logística.

O terminal tem capacidade para receber as aeronaves usadas no fretamento e faz conexões que facilitam o retorno dos deportados às regiões de origem, principalmente por estar próximo de cidades com alto número de emigrantes, como Governador Valadares, no Vale do Rio Doce.

Histórico

O primeiro voo com deportados dos Estados Unidos para o Brasil no novo governo de Donald Trump tinha Confins como destino. O pouso estava previsto para o dia 24 de janeiro, mas a aeronave precisou passar por manutenção e ficou em Manaus.

Os brasileiros chegaram algemados e acorrentados ao Amazonas, o que gerou reação do governo brasileiro. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, ordenou a retirada das correntes e determinou que os deportados fossem levados a Belo Horizonte em um voo da Força Aérea Brasileira (FAB).

“Fui preso que nem um cachorro. Lá eles não tratam ninguém bem. Eles são anti-imigrantes”, disse Carlos Vinícius de Jesus, um dos 88 brasileiros deportados dos EUA em um voo que desembarcou em Confins (MG) no dia 25 de janeiro de 2025.

Depois desse episódio, o governo federal anunciou a criação de um programa de acolhimento aos repatriados. Uma estrutura foi montada no aeroporto para atender a demandas mais urgentes, como atendimento médico, alimentação e transporte para as cidades de origem.

De acordo com as regras norte-americanas, estrangeiros podem ser expulsos dos EUA por entrada irregular, desrespeito às leis migratórias, envolvimento em crimes ou situações que representem ameaça à segurança pública.

Normalmente, o processo começa com prisão e segue sob responsabilidade do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).

O imigrante detido pode permanecer em um centro de detenção até o julgamento ou ser expulso. Aqueles que não passaram pelo controle migratório ao entrar no país podem ser deportados rapidamente, sem passar por um tribunal migratório. Outros casos passam por análise de um juiz. (Com informações do portal de notícias g1)

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