Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Nunca se vendeu tanto carro usado no Brasil; saiba o que isso significa para a economia

No ano passado, a venda de carros usados bateu recorde no País. Foram comercializados 18,5 milhões de veículos no País, com crescimento de 17,3% em relação a 2024. Foi o maior volume da série iniciada em 2012, segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto).

No mesmo período, a venda de veículos zero-quilômetro avançou 2,1% ante 2025 e frustrou a expectativa da indústria automobilística de crescer 6,3%, depois revista para 5%, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Em 2025, foram vendidos no mercado interno 2,69 milhões de veículos zero-quilômetro.

“O preço do carro novo ficou fora do alcance financeiro da maior parte da população brasileira”, diz Everton Fernandes, presidente da Fenauto. De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, a medida oficial da inflação, o carro novo ficou, em média, 3,05% mais caro em 2025, enquanto o automóvel usado, 2,26% mais barato.

Apesar de não dispor de números, Fernandes ressalta que a valorização de preço do usado foi muito baixa ou beirou a estabilidade em 2025 por causa da maior oferta de veículos. E isso favoreceu as vendas.

No ano passado, 600 mil carros de locadoras foram despejados no mercado de usados. As locadoras conseguiram finalmente renovar a frota, após um período mais restritivo na oferta de novos que houve depois da pandemia, por falta de componentes dos veículos.
Na avaliação do presidente da Fenauto, o preço foi o fator mais importante para turbinar a venda de usado em 2025. Já Carlos Eduardo Lopes, economista do banco BV, líder no financiamento de veículos usados, atribui o bom desempenho do mercado de usados em 2025 à conjuntura macroeconômica.

As condições de mercado de trabalho — com o desemprego na mínima histórica, crescimento da renda —, associadas ao crédito em expansão explicam muito mais o forte crescimento da venda de usados do que o diferencial de preços entre um carro novo e outro de segunda mão. “As taxas de aprovação de crédito aumentam muito quando você tem um bom desempenho da renda dos consumidores”, diz Lopes.

Estatísticas monetárias e de crédito do Banco Central mostram que o saldo de crédito livre para compra de veículos encerrou o ano de 2025 com crescimento real, descontada a inflação, de mais de 9%. Esse resultado foi obtido mesmo com a taxa básica de juros em 15% ao ano, maior nível em 20 anos.

“Velhinhos”

Dos 18,5 milhões de carros usados vendidos no ano passado, a maior fatia foi de “velhinhos”. Veículos com mais de 13 anos responderam por 38% do total. “É o carro que a maior parte da população brasileira consegue comprar porque os preços são mais acessíveis”, diz o presidente da Fenauto.

Já a parcela de carros “maduros”, com 9 a 12 anos de idade, como o comprado pela maquiadora Priscila, respondeu por quase 20%.

Hoje a maior parte da frota de usados do País tem mais de dez anos de idade. Isso tem desdobramentos sobre as questões ambientais, uma vez que veículos mais novos e tecnologicamente mais avançados são feitos teoricamente para poluir menos o meio ambiente.

Efeitos no PIB

Não é à toa que a indústria automobilística é um termômetro importante da economia. Por ter uma cadeia longa de produção, que envolve várias outras indústrias de componentes, partes e peças, quando as vendas de carros zero crescem no varejo, a produção avança na indústria e engrossa a geração de riqueza do País, o Produto Interno Bruto (PIB).

Já quando o mercado de carros usados cresce, não há agregação no PIB do ano, porque o veículo já foi fabricado em períodos anteriores. No entanto, na opinião de Juliana, o efeito do carro usado não é desprezível na geração de riqueza. Isso porque a sua comercialização puxa a demanda de outros componentes, peças e partes, que vão impulsionar a produção de outras indústrias, bem como a prestação de serviços de reparo.

“Se as pessoas só comprassem carros novos, isso geraria um aumento, pelo menos pontualmente, maior na produção. Mas não é desprezível o impulso que a venda do usado dá ao PIB. Não só no curto prazo, mas no médio prazo, acho que é um efeito consideravelmente muito bom”, diz a professora do Insper. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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