Domingo, 31 de agosto de 2025

O adeus a Luis Fernando Verissimo

Familiares, amigos, colegas, autoridades e centenas de admiradores se despediram em Porto Alegre, nesse sábado (30), do escritor e cartonista gaúcho Luis Fernando Verissimo. Falecido de madrugada após 20 dias de internação no Hospital Moinhos de Vento devido a uma pneumonia, ele completaria 89 anos no dia 26 setembro. O corpo foi velado na Assembleia Legislativa e sepultado ao fim da tarde no Cemitério São Miguel e Almas.

Verissimo deixa a esposa, Lucia Helena e os filhos Pedro, Mariana e Fernanda, além de dois netos. A perda de um dos grandes nomes da cultura do Brasil motivou o presidente Luis Inácio Lula da Silva a decretar três dias de luto oficial no País, junto com mensagem nas redes sociais.

O mesmo se deu nas esferas estadual e municipal, com o governador Eduardo Leite e o prefeito Sebastião Melo. Verissimo foi alvo, ainda, de homenagem pela direção do Sport Club Internacional, clube do qual era torcedor fanático.

Trajetória

Nascido na capital gaúcha em 26 de setembro de 1936, Luis Fernando Verissimo era filho do também icônico escritor Erico Verissimo (1905-1975) com a dona-de-casa Mafalda Volpe (1913-2003) – ele natural de Cruz Alta e ela de Pelotas. Viveu parte da infância e adolescência com os pais e a irmã, Clarissa (hoje com 90 anos), nos Estados Unidos, devido a compromissos profissionais de Erico.

Seu talento permitiu que Luis Fernando conquistasse brilho próprio – sem perder a timidez que igualmente o caracterizava – desde o retorno dos Verissimo para Porto Alegre, em 1956. Trabalhou no departamento de arte da Editora Globo, integrou como saxofonista o grupo de bailes Renato & Seu Sexteto, foi tradutor e redator publicitário.

De volta à sua cidade natal em 1967,  atuou como revisor de textos e cronista no jornal “Zero Hora”, falando inclusive  sobre futebol – era torcedor fanático do Inter. Manteve na primeira metade da década de 1970 uma coluna diária na “Folha da Manhã”, da empresa jornalística Caldas Júnior, afiando o bom humor que já marcava a sua produção textual. Teve, ainda, participação decisiva no semanário alternativo “Pato Macho” (1971), demonstrando também especial aptidão como cartunista.

Em 1973 lançou seu primeiro livro, “O Popular – Crônicas, ou Coisa Parecida”, seguido dois anos depois por “A Grande Mulher Nua”, além de escrever semanalmente para o “Jornal do Brasil”, tornando-se nacionalmente conhecido.

Foram os livros “Ed Mort e Outras Histórias” (1979) e “O Analista de Bagé” (1981) os responsáveis por seu salto de popularidade, ambos com sucesso de público e crítica, assim como “A Velhinha de Taubaté” (1983) – lançado quando ele já publicava uma página semanal de humor na revista “Veja” (até 1989).

Ao longo da década de 1980, consolidou-se como raro fenômeno de popularidade entre escritores brasileiros, com colunas semanais em diversos jornais e ao menos um novo livro por ano, sempre nas listas dos mais vendidos – cerca de 70 títulos, com uma vendagem de quase 6 milhões de exemplares.

Também escreveu textos para programas televisivos de humor da Rede Globo, que transpôs à telinha a antologia de contos “Comédias da Vida Privada” (1994), com mais de 20 episódios nos três anos seguintes. Na mesma época, retomou a carreira paralela de músico, como saxofonista e principal atração nos shows do bem-sucedido grupo porto-alegrense Jazz 6, responsável por quatro CDs.

Saúde abalada

Entre novembro e dezembro de 2012, Luis Fernando chegou a permanecer internado em estado grave na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Moinhos de Vento, devido a uma gripe. Sua saúde seria abalada nos anos seguintes por problemas cardíacos, doença de parkinson e um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido em 2021 e que lhe deixara sequelas.

Ele retornou ao Moinhos no dia 11 deste mês, devido a uma pneumonia. O quadro se agravou e ele foi encaminhado à UTI, de onde não mais saiu. Em seu velório, houve quem lembrasse uma divertida declaração de Verissimo durante entrevista de 2019 no programa “Conversa com Bial”, da Globo: “A morte é a última coisa que eu quero que me aconteça”.

(Marcello Campos)

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