Quinta-feira, 12 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de março de 2026
O banqueiro Daniel Vorcaro pretendia usar mensagens e documentos enviados pelos dois servidores do Banco Central (BC) cooptados por ele para tentar reverter a situação do Master na Justiça. A estratégia, como ele mesmo indicou em depoimento à Polícia Federal (PF) no dia 30 de dezembro, era mostrar que o BC acompanhava todos os passos do banco e que, por isso, o Master não poderia ter feito nada de errado sem o consentimento da autarquia.
“O Banco Central acompanhava diuturnamente o banco (Master). Cada passo que a gente tomava no banco foi comentado com o Banco Central. E aí a surpresa de tudo que aconteceu, porque o Banco Central estava lá dentro. O Banco Central me notifica em março e, de repente, no dia 17 de novembro eu sou preso sem nenhuma outra pergunta depois de março”, afirmou Vorcaro, na ocasião.
Na última semana, o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe da área de Fiscalização Belline Santana foram alvo da Operação Compliance Zero, suspeitos de receberem benefícios de Vorcaro para ajudar o Master, segundo investigações da PF.
Eles eram os servidores responsáveis por acompanhar o banco mais de perto e repassar informações ao diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, que não participava do esquema.
Os dois já haviam sido afastados pelo BC em janeiro, depois de meses de desconfiança dentro do próprio órgão. Por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), eles passaram a usar tornozeleira eletrônica e não têm permissão de deixar o País.
O banqueiro, preso pela segunda vez na mesma operação, também costumava dizer que a compra de precatórios pelo Master havia passado pelas diligências do BC. No depoimento à PF na virada do ano, Vorcaro se escorou na autarquia para dizer que não havia cometido nenhuma ilegalidade na venda de carteiras de crédito da Tirreno para o Banco de Brasília.
“O próprio Banco Central relata aqui que, desde 2024, ele audita diariamente todas as operações do banco. Todas. Ele mesmo ( diz isso), não sou eu que estou falando. Não sei se nesse relatório ou em algum outro relatório. A conversa com o Banco Central era diária. Várias vezes ao dia”, reforçou o banqueiro.
Paulo Sérgio chegou a vender uma fazenda de café para um fundo ligado à família de Daniel Vorcaro, em 2021, mas continuou usufruindo da propriedade sob justificativa de que ela havia sido arrendada, por causa da alta do preço do produto no mercado internacional. Ele foi diretor de Fiscalização do Banco Central de 2017 a 2023, sendo substituído por Aquino. Belline, por sua vez, chegou a atrasar o envio de documentos exigidos pela Polícia Federal. (Com informações de O Estado de S. Paulo)