Segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026

O Brasil chegou ao fim de 2025 confirmando uma década de estagnação na exploração de petróleo

O Brasil chegou ao fim de 2025 confirmando uma década de estagnação na busca por novas fronteiras para a exploração de petróleo, fruto de uma combinação da queda nas cotações internacionais da commodity e das dificuldades na obtenção de licenças ambientais.

Apesar dos esforços do setor energético do governo para conceder áreas em bacias ainda sem produção, a perspectiva é que a atividade permaneça em ritmo lento nos próximos anos, principalmente por causa da expectativa de petróleo barato.

A exploração é a etapa em que as petroleiras tentam confirmar a existência de petróleo embaixo da terra. Para isso, dependem primeiro de pesquisas sísmicas, uma espécie de ultrassonografia do subsolo para identificar estruturas que podem servir como reservatórios.

Depois, precisam perfurar poços até atingir esses alvos, confirmando se têm ou não petróleo ou gás. É o que a Petrobras está fazendo neste momento na bacia da Foz do Amazonas, por exemplo, após conturbado processo de licenciamento ambiental.

Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) apontam que a atividade patina no país desde a crise do petróleo de 2014, quando as cotações bateram a casa dos US$ 40 por barril. Piorou nos últimos anos, apesar da recuperação dos preços.

No auge da busca por reservas do pré-sal, o país chegou a registrar mais de cem poços exploratórios por ano —o recorde, de 2011, foi de 150. Em 2025, foram 19. Em 2024, o pior ano da atividade no século 21, apenas dez.

Considerando apenas a atividade em áreas marítimas, onde está o maior potencial brasileiro, foram dez em 2025 e sete em 2024. Em 2011, quando o país bateu o recorde, foram perfurados 150 poços marítimos, mais do que todos os 63 registrados na última década.

Analistas do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás e Biocombustíveis) apontam que, historicamente, havia uma correlação entre o número de poços e o preço da commodity. Petróleo caro tendia a estimular as petroleiras a buscar novas reservas.

A partir do final da década passada, essa correlação deixa de existir no Brasil.

“A redução expressiva do número de poços perfurados não decorre, fundamentalmente, da dinâmica de preços, mas reflete, sobretudo, a retração dos investimentos exploratórios no país, indicando uma mudança estrutural no padrão de alocação de capital no setor”, diz o instituto.

Principal motor da exploração no país, a Petrobras decidiu focar esforços em desenvolver as reservas do pré-sal descobertas nos anos 2010. Mirou seu plano estratégico para investimentos em plataformas e equipamentos submarinos que levaram o Brasil a se tornar um grande exportador de petróleo.

Tem conseguido bons resultados em ampliar suas reservas já conhecidas: em 2025, por exemplo, descobriu 1,7 barril para cada barril que produziu, com acréscimos principalmente na região do pré-sal. O crescimento de reservas se deu mesmo com produção de petróleo recorde durante o ano.

Mas, em seus boletins da exploração de petróleo, a ANP destaca que apenas três bacias marítimas tiveram descobertas relevantes nos últimos anos: Santos, Campos e Sergipe-Alagoas.

“Os entraves ambientais associados às bacias de fronteira exploratória marítima se configuram em razão relevante para que as campanhas exploratórias nessas bacias não prosperem”, afirma a agência no anuário da exploração de 2024. Procurada, a ANP não respondeu ao pedido de entrevista.

Sob críticas de organizações ambientalistas, diferentes governos brasileiros defenderam nos últimos anos que o Brasil precisa de mais investimento exploratório para descobrir novas reservas e compensar o esgotamento do pré-sal a partir da próxima década.

Nesse sentido, o país realizou uma série de leilões de áreas exploratórias, que levaram ao número recorde de 420 contratos em vigor no ano de 2024 —hoje são 400. Mas os investimentos seguem em marcha lenta.

Com base nesses contratos, a ANP prevê 19 poços exploratórios em 2026, sete em 2027 e aoito em 2028. Os números, porém, podem variar de acordo com a evolução das atividades de pesquisa, principalmente nas novas fronteiras exploratórias.

Com petróleo novamente em queda, a própria Petrobras reduziu de 51 para 40 a previsão de poços exploratórios em seu plano de investimentos para os próximos cinco anos. O orçamento dedicado à busca por novas reservas caiu de US$ 7,9 bilhões para US$ 7,1 bilhões.

A diretora de exploração e produção da estatal, Sylvia Anjos, diz que a empresa segue comprometida com a busca por novas reservas, mas que o ritmo das atividades exploratórias no Brasil é determinado atualmente pelo licenciamento ambiental.

“Especialmente em novas fronteiras, o processo é complexo, envolve múltiplas etapas e exige análises técnicas detalhadas por parte dos órgãos reguladores”, afirma. “Os prazos e exigências podem variar conforme o projeto, o que impacta diretamente o início das operações.” As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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