Quinta-feira, 05 de fevereiro de 2026

O Brasil tem 336 procurados pela Justiça por feminicídio

Um levantamento exclusivo do portal g1 mostra que 336 homens são procurados por crimes de feminicídio no Brasil. Eles são alvo de mandados de prisão que foram emitidos pela Justiça e estão pendentes. Ou seja, deveriam estar presos, mas continuam em liberdade.

* a maioria dos mandados é de prisão preventiva, quando o suspeito do crime já foi identificado e deve ser preso por ordem judicial no decorrer do processo.

* em 19 casos, o réu já foi condenado em definitivo e não pode mais recorrer. É o chamado trânsito em julgado, quando o criminoso deve ser preso para cumprir a pena.

* há na lista casos brutais e criminosos que estão entre os mais procurados do País.

* São Paulo (108), Bahia (32), Maranhão (28) e Pará (27) são os Estados com mais procurados.

O levantamento tem como base o Banco Nacional de Medidas Penais e Mandados de Prisão (BNMP), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e mapeou crimes cometidos ao longo de mais de duas décadas, entre o fim dos anos 1990 e 2023. Há casos de feminicídio e de tentativa de feminicídio.

Na maioria, os suspeitos e autores dos crimes já foram identificados, mas os mandados de prisão seguem sem serem cumpridos pelas polícias.

Essa situação se insere num cenário de aumento da violência contra mulheres. Em 2025, o Brasil registrou recorde de feminicídios, com 1.530 mulheres assassinadas. Média de quatro por dia.

Nesta semana, representantes do governo, do Congresso e do Judiciário lançaram em Brasília o “Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio”. Sob o lema “Todos Por Todas”, a iniciativa tem como eixos principais a prevenção, a proteção, a responsabilização de agressores e a garantia de direitos para mulheres vítimas de violência de gênero.

Segundo a lei, o feminicídio ocorre quando uma mulher é assassinada pelo fato de ser mulher. Esse tipo de crime só foi incluído na legislação brasileira em 2015, primeiro como uma variação de homicídio. Em 2024, uma nova lei tornou o feminicídio um crime específico e aumentou as penas, que podem chegar a 40 anos de prisão.

O que o levantamento expõe, segundo juristas, advogados e policiais, que nesses casos o principal gargalo não é a investigação do crime, mas o cumprimento das ordens de prisão.

“O dado mais revelador é que a maioria dos casos tem autoria conhecida. Isso demonstra resolutividade investigativa, mas também expõe um problema estrutural no cumprimento das prisões”, afirma a delegada Eugênia Villa, criadora da primeira delegacia do mundo especializada em feminicídios, aberta em 2015, em Teresina (PI).

“Em número absoluto, pode parecer pouco para o Brasil inteiro (serem 336 procurados). Mas, para nós que defendemos as mulheres, é muito. É sempre muito. Cada mandado desses representa uma mulher assassinada, uma família destruída”, diz Eugênia.

Para a especialista, o volume de pedidos de prisões preventivas indica que os casos de feminicídio tendem a ter alta taxa de identificação dos autores, diferentemente de outros crimes violentos.

“Se existe mandado de prisão preventiva, é porque a autoria está delineada. Diferente de outros crimes, no feminicídio a polícia quase sempre chega ao autor. A pergunta central é: por que essas prisões ainda não foram cumpridas?”, afirma. (Com informações do portal de notícias g1)

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