Sábado, 11 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de abril de 2026
O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza recebeu cerca de R$ 8 milhões em propina do Banco Master, segundo investigações da própria autoridade monetária, apurou o Estadão com pessoas que acompanham o caso. Já o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) Belline Santana recebeu pelo menos R$ 4 milhões.
Segundo a Polícia Federal, os dois foram cooptados pelo banqueiro Daniel Vorcaro e receberam “mesada” para trabalhar como consultores informais do Master.
O valor recebido por Paulo Sérgio seria o dobro do de Belline por ele ter sido diretor de Fiscalização do BC e também por ter entrado no esquema comandado por Vorcaro antes de Belline. O BC começou a apurar o vínculo entre os servidores e o Master no ano passado.
Segundo as investigações do BC, Paulo Sérgio simulou a venda de uma fazenda para um fundo ligado a Vorcaro. Conforme revelou o Estadão, Belline, classificado pelas investigações como uma espécie de “empregado” e “consultor” de Vorcaro no BC, criou uma empresa para oferecer serviço de capacitação de crianças e jovens carentes. A firma foi oficialmente aberta em julho de 2025, meses antes de o BC decretar a liquidação do Master, em novembro.
A empresa foi registrada no mesmo endereço residencial em que Belline declarou ser sua residência, em São Paulo. O telefone informado à Receita Federal é genérico, com uma sequência de noves, e não existe: “(11) 9999-9999”.
A defesa de Paulo Sérgio afirmou, por meio de nota, que o servidor “jamais recebeu qualquer vantagem indevida” e que “não é verdade que tenha simulado a venda de um sítio”. “O sr. Paulo Sérgio jamais recebeu qualquer vantagem indevida. Não é verdade que tenha simulado a venda de um sítio. O negócio foi realizado a valor de mercado. Também jamais favoreceu Daniel Vorcaro ou o Banco Master em sua atuação, sempre pautada na proteção do sistema financeiro e da sociedade”, dizem os advogados Odel Antun e Bruno Santicioli de Oliveira.
Já a defesa de Belline Santana afirmou que “não houve, de sua parte, favorecimento a qualquer instituição financeira, muito menos ao Banco Master, esperando-se que seja resguardado o regular contraditório nas instâncias competentes”.
A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu processos administrativos contra ambos para avaliar se eles serão expulsos do serviço público. Com informações do portal Estadão.