Quinta-feira, 14 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de maio de 2026
O encontro cordial entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes durante a posse de Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na última terça-feira (12), provocou reações negativas entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e movimentou debates nas redes sociais entre aliados do campo conservador.
A ex-primeira-dama cumprimentou Moraes com um abraço e um beijo no rosto na cerimônia realizada em Brasília (DF). O gesto repercutiu rapidamente entre bolsonaristas e gerou críticas de parte dos apoiadores do ex-presidente, que demonstraram incômodo com a cordialidade entre os dois em um evento institucional de grande visibilidade política e jurídica.
Michelle e Moraes têm histórico de tensão indireta devido aos inquéritos conduzidos pelo ministro envolvendo aliados e apoiadores de Bolsonaro. O magistrado também é relator de investigações relacionadas aos atos de 8 de janeiro e a processos que atingem integrantes próximos ao ex-presidente. Por isso, a cena foi interpretada por parte da base conservadora como inesperada e, para alguns, incompatível com o contexto político atual.
Entre os críticos, houve quem defendesse que, em situações consideradas extremas, a recusa do cumprimento – seja um aperto de mão, abraço ou beijo – seria mais adequada como demonstração de discordância política ou institucional. Outros apoiadores condenaram a atitude lembrando que Alexandre de Moraes autorizou medidas judiciais contra aliados do ex-presidente e determinou a prisão de Bolsonaro em investigações recentes.
Conforme informações do portal Brasil Paralelo, durante as festividades Michelle também dividiu a mesma fileira com Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, com quem trocou algumas palavras ao longo da cerimônia. O encontro ocorreu de maneira discreta, mas também passou a ser comentado nas redes sociais após a divulgação de imagens do evento.
Reações
A ex-juíza Ludmila Lins Grilo afirmou que, em “casos extremos”, a recusa do cumprimento é recomendada.
Para ela, negar um aperto de mão pode ser visto como hostilidade, mas representa também uma forma de dizer ao outro que ele não é reconhecido “nem sequer no plano da cortesia elementar”.
“Cumprimentar o sujeito que mandou prender injustamente o próprio marido, desculpem eu não tenho estômago pra entender isso”, escreveu Julio Schneider em uma publicação nas redes sociais que circulou entre apoiadores bolsonaristas.
Houve também aqueles apoiadores que defenderam a ex-primeira-dama, argumentando que os críticos estavam exagerando na interpretação do episódio e ignorando o caráter institucional da cerimônia.
“O próprio Bolsonaro cumprimentava o carrasco. Essa mulher está lá cuidando do marido nos piores momentos. Pessoal pegar um cumprimento forçado para desmerecer ela é muita infantilidade”, escreveu um apoiador.
Outros usuários destacaram que eventos oficiais costumam exigir uma postura protocolar entre autoridades e convidados, independentemente de divergências políticas ou disputas judiciais. Para esse grupo, o gesto de Michelle não representaria aproximação política com Moraes, mas apenas uma formalidade típica de solenidades institucionais.
Para alguns apoiadores, se o próprio Bolsonaro tratou Moraes com informalidade diante das câmeras em outras ocasiões públicas, cobrar uma postura diferente de Michelle seria inconsistente. O episódio acabou ampliando o debate entre aliados do ex-presidente sobre os limites entre cordialidade institucional e posicionamento político em ambientes oficiais. (Com informações da revista Veja e do portal Brasil Paralelo)