Sábado, 07 de fevereiro de 2026

O governo federal quer acelerar a discussão sobre o fim da escala 6×1, onde se trabalha seis dias e se folga um durante a semana

O governo federal quer acelerar a discussão sobre o fim da escala 6×1 – onde se trabalha seis dias e se folga um durante a semana – e aprovar um projeto sobre o tema até o dia 1ºde maio, data em que se comemora o Dia do Trabalhador.

O tema é tratado com prioridade pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o projeto deve ser enviado assim que o carnaval passar, com urgência constitucional.

De olho nas eleições deste ano, Lula quer reforçar a narrativa de que, além de ampliar a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, também está oferecendo mais tempo ao trabalhador.

O presidente quer fazer do fim da escala 6×1 uma de suas grandes apostas nas eleições deste ano, junto com o aumento dos direitos a entregadores e motoristas de aplicativos. O governo petista tem tentado se reconectar com a classe trabalhadora, sobretudo a informal, que, nas eleições municipais de São Paulo, flertou com a direita.

O presidente criou até mesmo um núcleo no Palácio do Planalto para dialogar com os trabalhadores informais, na tentativa de aproximá-los da esquerda.

Para discutir o projeto, que deve unificar as propostas já existem no Congresso, Lula agendou uma reunião, na próxima semana, com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

A reunião também terá as presenças dos ministros Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), que estiveram presentes em um jantar na última terça-feira, em que Lula fez questão de ressaltar que o ideal é a adesão de uma escala de, no máximo, 5×2 – o projeto original propunha um regime de trabalho de 4×3.

A proposta envolve ainda redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, com a possibilidade de diminuição progressiva para 36 horas.

O setor produtivo é contra. Hugo demonstrou simpatia pela ideia e disse a Lula que há apoio político para a aprovação da iniciativa ainda no primeiro semestre deste ano, antes do processo eleitoral.

O presidente da Câmara terminou 2025 com a imagem enfraquecida após o motim bolsonarista que ocupou a Mesa Diretora e a votação de pautas ideológicas, e a aprovação do projeto pode ajudar na imagem do parlamentar, que deve buscar a reeleição este ano.

A ideia do presidente da Casa Legislativa é começar a tramitação na última semana deste mês. O relator deve ser um nome de centro, para reduzir a rejeição da direita.

Tramitação

Atualmente, sete propostas discutem o assunto no Congresso Nacional. São quatro na Câmara, uma delas da deputada Érika Hilton; e três no Senado, incluindo a do senador Paulo Paim.

Em dezembro do ano passado, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou uma proposta de emenda constitucional (PEC) sobre o fim da escala de seis dias de trabalho por um dia de descanso e a redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas para 36 horas semanais.

No entanto, para virar lei, o texto ainda precisa passar por diversas etapas: aprovação no plenário do Senado, trâmite na Câmara dos Deputados e veto ou sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No fim do ano passado, o texto que tramitava na Câmara estava parado em uma subcomissão especial criada para tratar sobre o assunto. Não havia acordo para votação.

As propostas em tramitação geraram críticas de diversos setores produtivos.

Para muitos empresários, regras rígidas podem afetar diferentes atividades econômicas de forma desigual.

Entre os argumentos, empresários destacam que o Brasil não registra ganho consistente de produtividade há anos. Também alegam que a mudança teria um peso excessivo para pequenas empresas. (Com informações do portal Tribuna Online)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

O ministro da Fazenda afirmou que Lula determinou que o governo vá “às últimas consequências” nas investigações do escândalo do Banco Master
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play