Domingo, 08 de fevereiro de 2026

O impacto do julgamento militar de Bolsonaro na campanha de Flávio ao Planalto

A denúncia apresentada pelo Ministério Público Militar para que Jair Bolsonaro (PL), três generais e um almirante condenados pela trama golpista sejam expulsos das Forças Armadas já era esperada pelo grupo político do ex-presidente. Ao escolher o filho-senador Flávio como candidato ao Palácio do Planalto, porém, Bolsonaro avaliou que, ao contrário do que se imagina, seu herdeiro pode até ser beneficiado por esse cenário.

O Superior Tribunal Militar (STM) vai julgar, a partir de agora, se Bolsonaro e os outros acusados perderão os postos e as patentes. A preço de hoje, a tendência é que o ex-presidente e o ex-ministro Braga Netto sejam excluídos do Exército.

Quase 38 anos atrás, em junho de 1988, o STM absolveu Bolsonaro, acusado de liderar um plano para explodir bombas em quartéis e em um sistema de abastecimento de água, no Rio, para reivindicar melhores salários no Exército. À época, ele negou participação no episódio.

Ao que tudo indica, no entanto, o STM não salvará Bolsonaro pela segunda vez. Nos bastidores da caserna, há convicção de que os generais da reserva Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, por sua vez, serão poupados por seus antigos pares. Já o veredicto sobre o destino do ex-comandante da Marinha Almir Garnier é uma incógnita.

O julgamento não tem data para acabar e pode atingir o período eleitoral. Se isso ocorrer e a direita estiver bem posicionada na campanha, o ambiente político do momento influenciará na decisão do STM? As opiniões se dividem a esse respeito. Detalhe: o tribunal é composto por 15 integrantes, sendo cinco civis, e há divergências ali sobre a participação de militares em uma tentativa de golpe.

É justamente com esse fator imponderável que conta Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses em regime fechado e hoje preso na Papudinha. Para os bolsonaristas, quanto mais o STF ficar enfraquecido pelo escândalo do Banco Master, melhor.

Muito se pergunta no meio político por que Bolsonaro não escolheu o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao invés de Flávio, para desafiar o presidente Luiz Inácio Inácio Lula da Silva (PT) na disputa de outubro.

Dois interlocutores do ex-presidente, um deles com trânsito nas Forças Armadas, disseram ter ouvido do próprio o seguinte raciocínio: “É melhor perder mantendo a liderança do que ganhar liderado”.

Pesquisas indicam que Bolsonaro, mesmo preso, tem potencial de transferência de votos que se desloca para quem carrega o seu sobrenome. Além disso, Flávio vai vestir o figurino de um Bolsonaro pós-harmonização facial. Se o capitão reformado for expulso das Forças Armadas, o discurso do candidato ganhará ainda mais o tom da “perseguição política”.

Desconfiado, o ex-presidente também não põe a mão no fogo por Tarcísio. Em mais de uma ocasião, Bolsonaro recorreu ao argumento de que não é raro criaturas traírem o criador. Com essa constatação, perguntou a aliados quais garantias poderia ter de que o governador lhe daria anistia, caso fosse eleito presidente.

A cúpula do PL torce agora para que, se a candidatura da centro-direita ao Planalto for adiante, o nome ungido pelo PSD de Gilberto Kassab seja o do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O PL quer fazer um pacto com Kassab para que o postulante do PSD poupe Flávio e atue como franco-atirador contra Lula no primeiro turno.

O problema é que Kassab tem um pé em cada canoa: controla três ministérios no governo do PT (Minas e Energia, Agricultura e Pesca) e é secretário na gestão Tarcísio. Trata-se de um roteiro que torna o desfecho dessa história ainda mais imprevisível. ( Por Vera Rosa, Agência Estado).

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