Domingo, 25 de fevereiro de 2024

“O mercado da lã atravessa a pior crise da história”, afirma presidente de cooperativa gaúcha

O mercado da lã atravessa uma de suas piores crises. A informação é do presidente da Cooperativa de Lãs Mauá, de Jaguarão, Edison Lunes Ferreira, em visita à Rede Pampa. Segundo ele, após a pandemia, os fretes internacionais encareceram e inviabilizaram a exportação das lãs médias e grossas, que correspondem a 70% do que é produzido no Rio Grande do Sul.

“Existem, hoje, cerca de três safras de lã estocadas, correspondendo a pior crise da história”, reiterou. A solução, em sua avaliação, é a reativação do mercado interno diante da retomada da capacidade de lavagem, “fator este que determinou a opção pela exportação de lã suja por meio do Uruguai e que, desde sempre, se mostrou uma alternativa com fragilidades, em função dos altos custos de frete e da inclusão de um intermediário a mais na comercialização”.

O Rio Grande do Sul, disse, é o maior estado produtor de lãs, cerca de 8,6 mil toneladas, e, além da Cooperativa Mauá, possui mais duas cooperativas ativas: Cooperativa de Lãs de Quaraí e Cooperativa de Lãs Tejupá, de São Gabriel, todas associadas à Federação das Cooperativas de Lã (Fecolã).

Edison destacou ainda que a lã conta com o Fundo de Desenvolvimento da Ovinocultura do Estado, o Fundovinos. “Trata-se de recursos arrecadados com a finalidade de auxiliar políticas públicas na promoção da lã”, informou, ressaltando que as questões burocráticas relativas a esse fundo para o uso dos recursos aos seus fins “correspondem a um enorme obstáculo”, cujo volume (R$ 8 milhões) denuncia os empecilhos burocráticos dificultadores dos pleitos formulados.

Histórico

Até 1944, toda a comercialização do estado era de lã suja vendida por intermédio do Uruguai pelas barracas. A partir de então, foram criadas as cinco primeiras cooperativas, e a lã evoluiu para um processo de qualificação e agregação de valor. Até 1990, a lã era classificada e comercializada lavada e em top (cardada e penteada). Após os anos 90, houve uma quebra das cooperativas de lã em função do período de adversidades econômicas entre 1986 e 1990. Das 25 cooperativas existentes, 22 faliram (todas as que lavavam, cardavam e penteavam).

Com esta perda da capacidade, a lã passou a ser vendida para o Uruguai como lã suja, retrocedendo ao período anterior a 44. Em vista disso, houve um abandono do mercado interno, fazendo-o cair drasticamente. Ao ter que importar o produto, este encareceu demais no Brasil, acarretando na perda da competitividade. No momento atual, o Uruguai continua sendo o intermediário da lã no Rio Grande do Sul.

Fecolã

O presidente também comentou sobre as iniciativas da Fecolã, que trabalha em três frentes: marketing para agir sob demanda; programa de estímulo à criação de novos produtos à base de lã; e incentivo tributário. Na área de marketing, o primeiro evento deverá ser lançado nos próximos dias, contando com a aprovação de apoio financeiro do Banrisul.

Já sobre novos produtos, a Fecolã encaminhou um projeto ao Fundovinos, que consiste na premiação a jovens universitários que desenvolvam produtos à base de lã. Segundo ele, o segmento tributário também será merecedor de um papel incentivador no uso da lã, mas se encontra ainda em fase inicial de proposta.

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