Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de novembro de 2023
O Ministério da Fazenda avalia que a atividade econômica vem perdendo mais força do que era esperado. Por isso, pode revisar para baixo as suas projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) tanto deste ano, quanto do próximo. Atualmente, a pasta projeta altas de 3,2% e 2,3% para 2023 e 2024, respectivamente.
“A frustração veio principalmente do setor de serviços”, disse uma fonte. “Mas, em geral, todos os indicadores mostraram boa desaceleração no terceiro trimestre.”
Um dos motivos para essa desaceleração, de acordo a fonte, é a política monetária “batendo no consumo e na confiança dos agentes econômicos”. Mas a confiança também vem sendo impactada negativamente pelo setor externo, com a guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas e o aumento, nos últimos meses, das taxas de juros longas nos Estados Unidos.
Nesse cenário, o crescimento menor do que o previsto neste ano afetaria também a expansão calculada para 2024, por meio de uma herança estatística menor. Os números oficiais do Ministério da Fazenda serão atualizados na nova grade de parâmetros macroeconômicos no fim deste mês. As informações servem para a pasta calcular outra variáveis, como a arrecadação federal.
As projeções medianas do mercado para o crescimento da economia neste e no próximo ano são 2,89% e 1,5%, segundo a edição mais recente do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC). Por sua vez, a autoridade monetária calcula altas de 2,9% e 1,8%, de acordo com o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado no fim de setembro.
O Ministério da Fazenda ainda projeta oficialmente que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará em 4,85% neste ano e em 3,4% no próximo, de acordo com a grade de parâmetros mais recente, divulgada no fim de setembro.
A pasta também calcula que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) será de 4,36% e 3,21%, respectivamente. Já as estimativas para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) são -3% e 4%.
Carros elétricos e híbridos
Carros elétricos e importados pelo Brasil voltarão a recolher, a partir de janeiro, a alíquota de Imposto de Importação. A volta será gradual, até atingir os 35% em 2026. Para os automóveis movidos apenas a bateria, a taxa começa em 10%.
A decisão foi aprovada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior Cacex), a pedido do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). A medida foi comemorada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), e criticada pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), para quem a decisão representa o fechamento do mercado brasileiro.
A tarifa foi suspensa para os modelos elétricos em 2015, e reduzida para os híbridos. Na época, a justificativa foi o incentivo à entrada no País de veículos com as novas tecnologias de propulsão, mais sustentáveis em termos de emissão de CO2.
Agora, o Mdic e a Cacex atenderam demanda de várias montadoras, lideradas pela Anfavea, de que o incentivo afasta investimentos na produção local pois, de certa forma, seria mais vantajoso continuar importando.
A decisão, segundo o Mdic, visa desenvolver a cadeia automotiva nacional, acelerar o processo de descarbonização da frota brasileira e contribuir para o projeto de neoindustrialização do País, cujas bases são inovação, sustentabilidade e fortalecimento do mercado interno, com geração de emprego e renda.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do Mdic, destaca que o Brasil é um dos principais mercados automobilísticos do mundo. “Temos de estimular a indústria nacional em direção a todas as rotas tecnológicas que promovam a descarbonização, com estímulo aos investimentos na produção, manutenção e criação de empregos de maior qualificação e melhores salários.”
Na visão do vice-presidente, a transição da indústria automobilística mundial para a eletrificação é uma realidade incontornável. “É chegada a hora de o Brasil avançar, ampliando a eficiência energética da frota, aumentando nossa competitividade internacional e impactando positivamente o meio ambiente e a saúde da população.”