Terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 26 de janeiro de 2026
À primeira vista, Mercúrio poderia ser classificado como o planeta mais entediante do Sistema Solar. Sua superfície árida tem poucas características notáveis, não há evidências de água em seu passado e a atmosfera do planeta é, na melhor das hipóteses, extremamente rarefeita. A probabilidade de encontrar vida entre suas crateras escavadas é inexistente.
No entanto, observado mais de perto, Mercúrio se mostra um mundo fascinante e improvável, envolto em mistério.
Os cientistas planetários continuam intrigados pela simples existência do planeta mais próximo do nosso Sol. Ele é minúsculo, com 20 vezes menos massa do que a Terra e apenas um pouco maior que a Austrália. Ainda assim, Mercúrio é o segundo planeta mais denso do nosso Sistema Solar, atrás apenas da Terra, devido a um grande núcleo metálico que representa a maior parte de sua massa.
A órbita de Mercúrio, que passa tão perto do Sol, também ocupa uma posição incomum, que os astrônomos não conseguem explicar completamente. Isso nos leva a uma questão central: não sabemos como Mercúrio se formou. Pelo que se entende hoje, o planeta simplesmente não deveria existir.
“É meio constrangedor”, diz Sean Raymond, especialista em formação planetária e dinâmica da Universidade de Bordeaux, na França. “Há alguma sutileza chave que não conseguimos captar.”
O mistério sobre a origem de Mercúrio, como ele se formou e por que ele tem o aspecto atual faz parte de um dos maiores enigmas do Sistema Solar.
No entanto, algumas dessas respostas podem estar a caminho.
Uma missão conjunta da Europa e do Japão, chamada BepiColombo, lançada em 2018, está atualmente a caminho de Mercúrio. A sonda fará a primeira visita ao planeta em mais de uma década. Quando entrar em órbita em novembro de 2026, depois de um problema em um dos propulsores atrasar sua viagem, ele tentará entender de onde veio Mercúrio como um de seus principais objetivos.
Resolver como Mercúrio se formou não é importante apenas para compreender melhor as origens do nosso próprio Sistema Solar, mas também para estudar planetas em torno de outras estrelas, os exoplanetas.
“Mercúrio é provavelmente o mais próximo que temos de um exoplaneta”, afirmou Saverio Cambioni, cientista planetário do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, nos EUA), ao se referir à formação incomum do planeta. “É um mundo fascinante.”
O que está em jogo na compreensão da formação de Mercúrio é entender como os planetas se formam. O planeta teria sido uma mera casualidade, resultado de uma colisão aleatória em alta velocidade no nosso Sistema Solar, ou algo mais comum? “Talvez Mercúrio não seja um objeto tão raro e seja um resultado natural da formação planetária”, sugere Tosi.
Por ora, o enigma sobre as origens de Mercúrio permanece. Por que temos esse planeta estranhamente pequeno e supermetálico no nosso Sistema Solar? E será que outras estrelas também têm seus próprios Mercúrios?
À primeira vista, Mercúrio pode parecer um mundo cinzento, sem grande interesse aparente. Mas, em essência, esse planeta enigmático pode ser um dos lugares mais fascinantes do Sistema Solar.
“É possível que Mercúrio seja simplesmente um planeta improvável”, diz Scora. Um planeta que na maioria das linhas temporais simplesmente não deveria existir, mas que, na nossa, existe. (Com informações da BBC Brasil)