Domingo, 01 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 31 de janeiro de 2026
O Palácio do Planalto definiu uma estratégia de comunicação para tentar manter uma distância regulamentar do escândalo envolvendo o Banco Master e, com isso, reduzir o risco de que a crise se reflita diretamente na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A orientação interna, segundo relatos de bastidores, é evitar que o tema se torne um fator de desgaste político contínuo e, ao mesmo tempo, reforçar a ideia de que o governo atual não estaria associado à origem das suspeitas investigadas.
A ordem do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, é para que integrantes do governo, ao serem questionados sobre o assunto, enfatizem que a apuração das irregularidades foi iniciada pela atual gestão. A linha sugerida é apresentar a abertura das investigações como demonstração de postura institucional e de compromisso com transparência, buscando diferenciar o governo de eventuais responsáveis pelos fatos sob apuração.
A tática, conforme interlocutores, é semelhante à que foi adotada no enfrentamento do colapso político provocado pelas denúncias relacionadas ao desvio de aposentadorias do INSS. Naquele episódio, o Planalto também buscou ressaltar que medidas de investigação e apuração foram tomadas sob o comando do governo Lula, como forma de neutralizar acusações de omissão e reduzir o impacto negativo junto à opinião pública.
Além desse eixo, a estratégia inclui um segundo movimento: ministros e porta-vozes devem inserir, nas respostas a perguntas consideradas incômodas, referências às doações de campanha realizadas pelo empresário Fabiano Zettel, cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O objetivo seria associar parte do entorno empresarial ligado ao caso a nomes da oposição, destacando contribuições feitas em 2022 ao então presidente Jair Bolsonaro e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, tem sido apontada como uma das principais vozes dessa abordagem. Em declarações recentes, Gleisi afirmou que cabe aos adversários do PT esclarecer eventuais vínculos de seus governos com o Banco Master, deslocando o foco do debate para o campo oposicionista.
“A oposição tem de explicar por que o empresário Fabiano Zettel, que é cunhado do Vorcaro, foi o maior doador individual da campanha de Bolsonaro e do Tarcísio”, afirmou Gleisi. Ao mesmo tempo, a ministra evitou comentar a relação entre o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, e lideranças políticas do PT da Bahia, tema que tem sido citado por críticos do governo e por adversários políticos.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também se manifestou na mesma direção. Em fala recente, fez referência a Vorcaro e ao seu entorno e afirmou que “essa turma” teria sido a maior financiadora das campanhas de Tarcísio e de Bolsonaro em 2022. Naquele ano, Haddad concorreu ao governo de São Paulo e acabou derrotado por Tarcísio nas urnas, em uma disputa que marcou a polarização política no maior colégio eleitoral do País. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)