Quinta-feira, 12 de março de 2026

O petróleo mostra sua verdadeira face na guerra

A mensagem é clara: a indústria do petróleo está por trás desta guerra e não faz mais questão de esconder sua verdadeira face. Depois da vitória na COP30, quando conseguiu barrar acordos entre as nações para frear o avanço dos combustíveis fósseis, o setor se viu fortalecido. O resultado imediato foi a escalada de violência, com os Estados Unidos e Israel em confronto direto contra o Irã. É impossível dissociar esse conflito da disputa pelo controle energético global. O petróleo, mais uma vez, é o combustível da guerra.

Há muitos pontos de vista possíveis sobre esse embate, mas eu sempre escolho olhar pelo aspecto humanitário e ambiental. No Brasil, vejo pessoas comemorando cada notícia de avanço militar, torcendo por novos ataques, ávidas por imagens de petroleiros em chamas ou líderes militares abatidos. Essa celebração da violência é um retrato cruel da desumanização que a guerra provoca. No plano humano, já é uma tragédia: civis mortos, mulheres e crianças soterradas sob escombros, famílias destroçadas. No plano ambiental, estamos diante de um desastre de proporções imensas. A guerra polui mais do que muitas nações inteiras, com explosões, vazamentos, incêndios e destruição de infraestrutura energética que liberam toneladas de gases tóxicos na atmosfera.

Enquanto isso, a economia brasileira começa a sentir os efeitos. O aumento do preço do petróleo já pressiona os combustíveis, e isso inevitavelmente se refletirá na inflação. Afinal, tudo o que circula — bens, alimentos, serviços — depende de transporte, e transporte depende de combustível. O impacto será sentido no bolso do cidadão comum, que paga a conta de uma guerra travada a milhares de quilômetros de distância.

Mas há uma contranarrativa que precisa ganhar força: a transição energética. Os carros elétricos, que já despontam como a nova geração da mobilidade humana, ganham destaque justamente neste momento. Eles não dependem de combustíveis fósseis. Qualquer cidadão pode gerar energia em seu telhado, com painéis solares, e alimentar seu próprio veículo. Além disso, são mais eficientes: enquanto os carros a combustão desperdiçam grande parte da energia em calor e atrito, o carro elétrico utiliza praticamente toda a eletricidade para tracionar o veículo. É uma revolução silenciosa, mas poderosa.

Prefeituras brasileiras já começaram a substituir frotas de ônibus urbanos por veículos elétricos. Além de mais silenciosos, não poluem e reduzem custos de operação. Transportadoras estudam a conversão de suas frotas, e não apenas de caminhões: há projetos para trens elétricos, embarcações híbridas e até aviões movidos a baterias ou hidrogênio. A mobilidade sustentável não é mais uma utopia, é uma realidade em construção. E cada novo modal que abandona o petróleo é um passo a menos rumo à dependência de guerras e crises.

Organizações como o Greenpeace e o Instituto de Energia e Meio Ambiente têm alertado há anos que o verdadeiro custo do petróleo não está apenas no preço do barril, mas nas vidas perdidas e no planeta devastado. A guerra atual escancara essa verdade. O petróleo não é apenas um combustível; é um motor de destruição, um catalisador de conflitos, um entrave à paz e à sustentabilidade.

O que vemos hoje é um choque de paradigmas. De um lado, a velha indústria fóssil, disposta a tudo para manter seu poder, mesmo que isso signifique fomentar guerras. Do outro, uma nova geração de tecnologias limpas, que oferecem alternativas viáveis e já começam a transformar cidades e países. A escolha que temos diante de nós é clara: continuar celebrando ataques e mortes em nome do petróleo, ou apostar em uma mobilidade que não dependa de sangue e fumaça.

A crise atual é um alerta. O petróleo mostra sua verdadeira face, e ela é sombria. Mas também abre espaço para que a sociedade pressione por mudanças reais. A transição energética não é apenas uma questão ambiental, é uma questão de sobrevivência humana. E quanto mais cedo entendermos isso, mais rápido poderemos deixar para trás um mundo em que guerras são travadas por barris de óleo e abraçar um futuro movido pela energia limpa e pela paz.

* Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética

Contato: rena.zimm@gmail.com

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Colunistas

Parte dos jovens do Partiu Futuro Reconstrução inicia atividades práticas no Rio Grande do Sul
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play