Quarta-feira, 20 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 20 de maio de 2026
O desembargador federal Alcides Martins Ribeiro Filho foi encontrado morto na tarde de terça-feira nos arredores da Vista Chinesa, no Parque Nacional da Tijuca. O corpo foi localizado por agentes da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) e do Corpo de Bombeiros. Segundo a Polícia Civil, não havia sinais aparentes de violência.
A perícia foi realizada pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML). As circunstâncias da morte ainda são investigadas pelas autoridades.
O magistrado estava desaparecido havia mais de um mês. O caso mobilizou integrantes do alto escalão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região e vinha sendo acompanhado de perto pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Em nota, o TRF-2 informou, “com profundo pesar”, que o corpo encontrado no Parque Nacional da Tijuca apresenta indícios de ser do desembargador, desaparecido desde 14 de abril. O tribunal ressaltou, no entanto, que a identificação oficial ainda depende da confirmação das autoridades responsáveis pela investigação.
O presidente da Corte, Luiz Paulo da Silva Araújo Filho, manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas do magistrado.
O desembargador foi visto pela última vez em 14 de abril. Segundo as investigações, naquele dia ele sacou R$ 1 mil e embarcou em um táxi com destino à Vista Chinesa, tradicional mirante localizado na Floresta da Tijuca, na Zona Norte do Rio. Desde então, não havia mais informações sobre seu paradeiro.
Na semana passada, familiares realizaram uma missa em homenagem ao magistrado na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, na Tijuca. O irmão do desembargador, o contador aposentado José Paulo Martins Ribeiro, afirmou que o taxista responsável pela corrida ajudou a polícia a identificar o último destino do magistrado.
“Ele mora em Ipanema, mas naquele dia estava passeando na Tijuca, onde pegou um táxi em direção à Vista Chinesa. Um dia depois do registro do desaparecimento, a Polícia Civil identificou o motorista, que confirmou o destino do meu irmão. Isso foi muito importante”, relatou.
Separado, Alcides Martins Ribeiro Filho tinha 64 anos e deixa três filhos, entre eles uma menina de 8 anos.
O desembargador estava afastado do cargo desde maio do ano passado, por decisão do Conselho Nacional de Justiça, após suspeitas de agressão contra a ex-mulher. Na ocasião, ele chegou a ser conduzido algemado para a delegacia.
“Uma hora a Justiça vai esclarecer esse caso, e eu acredito que o resultado será favorável a ele. Não é verdade que ele seja uma pessoa violenta”, afirmou o irmão do magistrado em entrevista concedida antes da localização do corpo.
A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, que atua como assistente qualificada da ex-mulher do magistrado, afirmou que ela foi vítima de violência doméstica e familiar.
Em nota, o órgão informou que o desembargador “foi denunciado pelo Ministério Público Federal pela prática de crimes relacionados à violência doméstica e outros tipos penais”. O processo tramita sob sigilo no Superior Tribunal de Justiça, que concedeu medida protetiva de urgência em favor da vítima.
“A instituição reafirma seu compromisso com a proteção integral das mulheres em situação de violência e repudia qualquer tentativa de culpabilização ou revitimização da assistida”, afirmou a Defensoria Pública.