Domingo, 01 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 31 de janeiro de 2026
Após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, na última quinta-feira (29), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), relatou a aliados uma avaliação considerada positiva sobre a situação do ex-chefe do Executivo na Papudinha, unidade localizada no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Segundo interlocutores, Tarcísio afirmou que Bolsonaro estava com “aparência boa” durante o encontro. O governador também relatou que o ex-presidente tem sido “bem tratado” no local, descrevendo um ambiente de respeito por parte das autoridades responsáveis pela custódia. “Há muito respeito por ele”, disse Tarcísio a aliados, de acordo com pessoas que acompanharam a repercussão da visita.
Apesar do relato favorável sobre as condições observadas, o governador paulista mantém a posição de que Bolsonaro deveria ser transferido para o regime de prisão domiciliar. Entre os argumentos apresentados por Tarcísio em conversas reservadas está a preocupação com o uso de medicação pelo ex-presidente para tratar crises de soluço, que, segundo ele, pode provocar efeitos como perda de equilíbrio, o que demandaria acompanhamento mais adequado.
Tarcísio esteve com Bolsonaro por cerca de duas horas. A visita teve início às 11h e terminou às 13h. De acordo com relatos, o comando da Papudinha fez uma deferência ao governador no local, em um gesto interpretado como reconhecimento institucional à autoridade estadual que compareceu à unidade.
Rotina
Conforme noticiou o portal Metrópoles, na coluna da jornalista Manoela Alcântara, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) enviou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes um relatório com informações sobre a rotina de Bolsonaro na Papudinha.
No documento, a PMDF informou que, nos últimos 15 dias, o ex-presidente caminhou por aproximadamente cinco horas e sete minutos. Além disso, realizou sessões de fisioterapia, recebeu atendimento médico e teve autorização para visitas, seguindo as regras determinadas pelo STF para o período de custódia.
Segundo a Polícia Militar, os atendimentos prestados por profissionais da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) consistiram, em sua maioria, em avaliações clínicas de rotina, com monitoramento do estado geral de saúde do detento e acompanhamento regular.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão após condenação pelo STF no âmbito da ação penal relacionada à trama golpista. Ele está sob custódia por determinação da Corte, que também estabelece as normas de visitas e de assistência religiosa. Entre os registros citados está a autorização que permitiu a ida do bispo Robson Rodovalho ao local. A assistência espiritual está prevista entre as prerrogativas constitucionais asseguradas a pessoas privadas de liberdade.
Desde o início do cumprimento da pena, o ex-presidente deixou a unidade da Polícia Federal onde estava inicialmente e foi transferido para dependências administradas pela Polícia Militar do Distrito Federal. Paralelamente, a defesa tem apresentado pedidos para que Bolsonaro passe ao regime de prisão domiciliar, alegando que ele não teria condições de saúde para permanecer sob custódia nas condições atuais.
No mesmo contexto, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chegou a se reunir com os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, em audiências relacionadas ao caso. (Com informações do colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, e do jornal O Globo)