Terça-feira, 17 de maio de 2022

loader

ONU consulta o Brasil sobre receber haitianos acampados na fronteira entre Estados Unidos e México

A OIM (Organização Internacional para as Migrações) consultou formalmente o Brasil para saber se o país pode receber alguns dos haitianos que estão acampados na fronteira entre os Estados Unidos e o México, segundo a agência de notícias Reuters. Sem mencionar o pedido da OIM – braço da ONU (Organização das Nações Unidas) para migração –, o Itamaraty afirmou em nota que “o tema foi tratado em conversas entre autoridades de diversos países e está sendo analisado à luz da legislação vigente”.

O pedido da OIM ocorre no momento em que o presidente dos EUA, Joe Biden, enfrenta uma pressão crescente para resolver mais uma crise migratória, com milhares de haitianos tentando entrar ilegalmente no país.

Eles estão reunidos embaixo de uma ponte no Texas, ao norte do Rio Grande e perto da fronteira com o México, mas o governo americano começou a deportá-los de volta ao Haiti.

Cerca de 12 mil haitianos devem ser expulsos dos EUA, em uma crise que já proporcionou cenas chocantes como a de agentes a cavalo “caçando” imigrantes.

O enviado especial dos EUA para o Haiti, Daniel Foote, renunciou ao cargo na quinta-feira (23), dois meses após a sua nomeação, devido à crise.

Em uma carta, o enviado especial do Departamento de Estado denunciou as deportações do governo Biden e afirmou: “Não vou me associar à decisão desumana e contraproducente”.

A OIM pediu ao Brasil que receba haitianos que têm filhos brasileiros ou que passaram pelo Brasil antes de entrarem no México, disseram duas fontes à Reuters. Elas dizem que o primeiro pedido tem mais probabilidade de ser aceito.

A OIM informou, por meio de seu escritório mexicano, que tem “um programa de retorno voluntário que auxilia imigrantes de várias nacionalidades”. Sem dar maiores detalhes, a entidade disse que “a implantação deste programa exige um acordo entre os países envolvidos”.

Mulheres e crianças

Enquanto o Haiti continua sofrendo com a “tripla tragédia” envolvendo desastres naturais, violência urbana de gangues e a pandemia de covid-19, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) expressou preocupação, na quinta-feira (23), com o fato de dois terços dos migrantes haitianos expulsos recentemente da fronteira entre Estados Unidos e México serem mulheres e crianças – incluindo recém-nascidos com “necessidades específicas e imediatas”.

“Quando crianças e famílias são mandadas de volta sem a proteção adequada, elas se tornam ainda mais vulneráveis à violência, pobreza e deslocamento – fatores que as levaram a imigrar em primeiro lugar”, disse a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore.

O Haiti é o país mais pobre do hemisfério ocidental e há muito tempo é atormentado pela pobreza, agitação civil e instabilidade política e econômica.

No mês passado, um terremoto de magnitude 7,2 abalou o país, afetando vidas, destruindo mercados, estradas e sistemas de irrigação. Poucos dias após o evento sísmico, a tempestade tropical Grace aumentou o sofrimento com danos adicionais.

Querendo assegurar uma vida melhor, milhares de haitianos – muitos dos quais vivem fora de sua terra natal há anos – fugiram para o México com a esperança de entrar nos Estados Unidos. Eles foram recebidos no Texas com uma demonstração de força de agentes de fronteira.

O Unicef encorajou as autoridades a “absterem-se de qualquer uso de força nas fronteiras, para manter as famílias unidas e avaliar adequadamente as necessidades de proteção dos imigrantes, antes que qualquer decisão sobre o retorno seja feita”. As informações são da agência de notícias Reuters e da ONU.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de em foco

Erupção de vulcão se intensifica nas Canárias e mais três cidades são evacuadas
ONU consulta Brasil sobre receber haitianos acampados na fronteira entre EUA e México, diz agência
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play